sábado, 31 de maio de 2014

Leitura de Êxodo

O Livro de Exôdo, o segundo do Antigo Testamento, relata uma passagem "histórica" um tanto controversa. O livro refere-se especificamente a toda a peregrinação de Moisés conduzindo toda a sua comunidade de parentes em fuga do Egito para a terra prometida. A partir daí o livro meio que se transforma numa mistura de Vade-Mécum da antiguidade que prega leis civis para a época, como num manual de costura litúrgico que orienta o formato das vestes, altar, cortinas de 15 metros de altura e holocaustos de manhã e de tarde.

Como Jacó e seus filhos foram se abrigar no Egito por conta dos sete anos de vacas magras, estes e seus descendentes procriaram aí por gerações nestas terras até o ponto em que se tornaram verdadeiros escravos dos líderes egípcios que já não tinham nenhum vínculo de amizade com esse povo. Deus conversa com Moisés e lhe dá instruções sobre o que deve fazer para libertar o povo da opressão sofrida pelos egípcios. O conto é bem interessante se você não encará-lo como um relato da verdade, pois, ao mesmo tempo, é muito fantasioso e horrivelmente sangrento.

Certa vez, uma senhora a quem prezo muito e de grande dedicação religiosa ao catolicismo me repreendeu porque relatei o quanto achava incrível as cenas descritas pela escritora J.K.Rowling com seu personagem Harry Potter. De acordo com essa senhora, isso não era "coisa de Deus" e que o uso da magia se reservaria às artes profanas. Constatei que a vacina criada pela religião de fato existe. Os doutrinadores são os mais doutrinados, pois o próprio Deus da Bíblia, neste livro, induz os heróis Moisés e Aarão a usarem o seu cajado para desferirem golpes de feitiçaria contra os seus inimigos (diga-se de passagem que não creio em um Deus que possua inimigos). Qualquer semelhança com um bruxinho e uma varinha mágica vai ser coisa profana da minha cabeça. Tá certo! (Ex 8. 12) "O SENHOR disse a Moisés: 'Dize a Aarão: Estende a vara e golpeia a poeira da terra, para que se transforme em mosquitos no Egito inteiro'." Uau! Isso daria incríveis efeitos especiais para o cinema. A passagem refere-se a segunda praga desferida contra os egípcios para que estes pudessem libertar o povo de Israel (o mesmo Jacó). Foram ao todo 10 pragas: águas transformadas em sangue, rãs, mosquitos, moscas-varejeiras, peste nos animais, tumores, granizo, gafanhotos, escuridão e morte dos primogênitos. Isso significou para este leitor duas coisas: a primeira era a de que tais artifícios deveriam ser usados justificadamente para fazer os opressores crerem que de fato havia um Deus ali e que ele era poderoso. A segunda desmorona a primeira, pois significou que, este mesmo Deus poderoso era um ser opressor, impiedoso e de poucos; apenas o povo de Israel que o merecia, pois os egípcios eram seus inimigos. E mais uma vez a Bíblia recai na simplicidade anti-sociológica da dicotomia - os bons e os maus. O ser humano é muito mais complexo que isso! Enfim, o feito se realiza quando da fuga numa passagem pelo  meio do Mar Vermelho. (Ex 14. 21-22) "Moisés estendeu a mão sobre o mar, e durante a noite inteira o SENHOR fez soprar sobre o mar um vento oriental muito forte, fazendo recuar o mar e transformando-o em terra seca. As águas se dividiram, e os israelitas entraram pelo meio do mar em seco, enquanto as águas formavam uma muralha à direita e outra à esquerda deles." Ainda bem que é a Bíblia e não eu relatando uma cena do Harry Potter. Mas se bem que eu também me lembrei de uma personagem de X-Men.

Seguramente alguns vão dizer que eu esteja debochando da sua fé e que eu mereça ser castigado. O que tenho a dizer é que não é deboche, somente elucidação de passagens que são vistas e lidas apenas a luz de fé. Irracional e inteiramente emocional. Por mim você pode crer sim que isso é verídico e que isso pode fundar a sua religião, mas o que não pode ser ignorado é que as cenas retratadas aí são semelhantes a muitas cenas de aventuras narradas em HQ. Fantasia em demasia e pouca instrução coerente. Em nenhum momento durante todo o livro, por exemplo, percebi a palavra "amor" (se houver, por favor, indique nos comentários) enquanto que a palavra "sangue" surge proporcionalmente à quantidade de vezes que se lê a palavra "SENHOR". Muito controverso isso para ser empregado como a palavra daquele que nos salvará - A Palavra do Senhor!

Mas enfim, hoje é sábado e é dia de relaxar, pois como a própria Bíblia diz: (Ex. 35. 2) "Durante seis dias trabalhareis, mas o sétimo será para vós santo, um sábado, dia de descanso consagrado ao SENHOR. Quem nesse dia fizer qualquer trabalho será punido de morte." Me perdoem os religiosos, mas isso, pra mim, não é de Deus.

domingo, 18 de maio de 2014

Leitura de Gênesis

O livro de Gênesis, o primeiro do Antigo Testamento, vai trazer a sua visão da origem do mundo, a origem do pecado com Adão e Eva e posteriormente Abel e Caim. Este mesmo livro, discorrendo sobre as suas descendências, vai relatar também a parábola de Noé e sua arca, da Torre de Babel, e da família de Abraão e sua descendência, passando por Ló, Isaac, Esaú e Jacó até a história de José no Egito.

Antes de começar a dar minhas impressões sobre o assunto, queria deixar bem claro, que meu objetivo aqui não é o de evangelizar, mas tratar de uma leitura sem nenhuma influência religiosa e sem a interferência de qualquer doutrinador perante às palavras lidas. A leitura é minha! O que percebo aqui não é aquilo que os sacerdotes querem ou acham conveniente que o doutrinado acredite. Deus me fez inteligente e, portanto, posso obter senso crítico a partir de minhas próprias ideias. O objetivo maior é resenhar e tecer comentários sobre este que é apenas um dentre outros livros sagrados que existem pelo mundo (fato este no qual as pessoas esquecem ou que fazem-se de cegas para não ferirem a própria fé - A Bíblia não é o único livro sagrado!). Portanto, se você que visitou de repente achar este conteúdo ofensivo contra a sua fé, por favor, ignore. Esta postagem é sobre leitura e não sobre fé.

Bem, a partir da minha percepção, o livro passou no início a ideia de que Deus era um ser cruel e sanguinário, que, em razão de pouco, provocava a devastação da humanidade e o sofrimento do homem. Era precisamente um Deus exclusivo. Poucos o mereciam. Apenas uma família especificamente. Já ouvi falar uma vez, acerca de uma concepção de um filósofo contemporâneo, que relacionando o que conhecemos de ciência hoje nos faz referenciarmo-nos de que as antigas religiões são nada mais que mitologias e de que no futuro, as religiões de hoje também o serão. Penso que Mitologia Cristã seria um termo interessante para se referenciar às parábolas elaboradas no livro de Gênesis. A criação do mundo, a origem do pecado e uma serpente, Eva constituída de uma costela de Adão, a Arca de Noé, a Torre de Babel para elucidar o origem dos idiomas pelo mundo são fábulas no mínimo ingênuas. Mas enfim, não havia tecnologia na época para clarear as ideias humanas sobre tais questões, era tudo o que eles tinham. Perfeitamente compreensível! O que não é compreensível na verdade é a manutenção de ideias retrógradas sobre questões retrógradas as quais a ciência já respondeu. Pior ainda é fazer o mal em nome delas. O filósofo Giordano Bruno foi condenado à morte na fogueira por sustentar ideias dele as quais a Inquisição julgou serem contrárias à igreja. Isso me leva a concluir que, se a humanidade tivesse se mantido fiel aos preceitos religiosos pregados pela religião católica, então certamente hoje eu estaria sendo preso e condenado a uma morte bem cruel só por estar postando este texto.

Mas bem, continuando pelo Gênesis, percebi alguns outros desvios da suposta moral e bons costumes pregados pela "santa Bíblia". Se os filhos de Adão e Eva, além deles, foram os primeiros habitantes da terra, então por que em (Gn 4. 17 ) está escrito "Caim conheceu sua mulher. Ela concebeu e deu à luz Henoc. Caim veio a construir uma cidade e lhe deu o nome de seu filho, Henoc."? Uma mulher aí surgiu do nada? Certamente algum sacerdote vai conseguir responder a este questionamento. Só duvido que esta refutação tenha origem na própria Bíblia e que certamente tal resposta seja baseada naquilo que for conveniente acreditar. Mas não pára por aí. Era prática bem comum que, uma vez estéril, a esposa poderia oferecer a própria ama ou empregada para deitar-se com o marido e conceber um filho por meio dela. E existem religiões aí baseadas na Bíblia que condenam as barrigas de aluguel. Havia muita poligamia. As esposas de Jacó disputavam quem transava mais ou pelo menos quem dava mais filhos ao marido e ainda colocavam as suas criadas para entrarem na disputa e aumentarem seu time. Não sei! É uma ideia muito estranha para a concepção de moral. Sem falar que toda vez em que se relata a descendência de um personagem, apenas os filhos do sexo masculino que são mencionados e considerados na contagem. Ou seja, a concepção de que a mulher é um ser inferior é também imposta pela própria Bíblia. Não lembro de ouvir nenhuma destas histórias na missa ou de nenhum sermão que defendesse estas práticas como válidas para o desenvolvimento do ser humano em comunidade. Por que será? Só penso que em razão de não ser conveniente. Certamente alguém vai dizer, "ah! mas acontece que isso é do Antigo Testamento". A minha resposta para este argumento é o de que mais uma vez só se prega aquilo que for conveniente, pois muitas coisas que se ditam como "moral" foram extraídas do Antigo Testamento.

Mas falando de um ponto positivo. A história de José. O filho de Jacó que foi vendido pelos irmãos em razão da invídia desses. Esta, sim, traz valiosos ensinamentos ligados ao perdão, à superação, à integridade e à vontade de proporcionar o bem comum. É uma belíssima história que deve ser recontada com todos os detalhes presentes na passagem. Pelo menos dessa parte, percebi uma noção mais sucinta de um Deus justo e bom.

sábado, 10 de maio de 2014

O Início da Ideia

Inicio este empreendimento obviamente pela Bíblia Sagrada. Apesar de muitos acreditarem ser este o meu escolhido por ser, digamos, um livro padrão e que possui todos os ensinamentos irrefutáveis que uma religião precisa ter (como já ouvi uma vez alguém dizer: "A Bíblia é perfeita!"), não vai ser por isso. Escolhi iniciar pela Bíblia por conta do contexto histórico-geográfico no qual estou inserido. Se você, ôh brasileiro, acha que é católico, evangélico, espírita ou pertencente a qualquer outra religião de origem cristã; e se diz ser "servo" desta religião e brada isso com orgulho e muita "fé" no coração porque escolheu; vou dizer que um pequeno percentual desta sua realidade foi definida somente por você. Talvez a parte que te coube foi aceitar ou não. Escolher? Bem, penso que para que houvesse uma escolha aí, antes de adentrar aos dogmas impostos pela sua religião, você precisaria ter analisado quais eram as outras doutrinas que estariam a sua disposição, ou quem sabe das que existissem pelo mundo. Mas a realidade é que quase não houve escolha por aí. Como disse, o contexto histórico-geográfico... Quinhentos anos antes, a religião cultuada por aqui era puramente indianista, Deus era o Sol (coincidente com outras religiões) e ele tinha uma companheira, a Lua. Que bonitinho! Foram então os portugueses que introduziram a fé católica nestas terras de Vera Cruz e junto com eles vieram alguns de nossos ancestrais devotos desta fé. Chamo a atenção por este fato porque não consigo ignorar a lógica que com muita gratidão foi Deus quem me deu. Ora! Se então uma embarcação indiana tivesse chegado até aqui e se apossado destas terras, os brasileiros hoje seriam hindus. E se fosse chinesa? Seríamos politeístas? Enfim, contra fatos não há argumentos. Não tenho nada contra quem crê em Jesus Cristo. Também creio, mas não da mesma forma que esses, pois sei que eles só creem nesta igreja e neste livro, por razões que estão muito, mas muito longe de uma escolha baseada na lógica. Isso se chama fé.