Decepção! Sinceramente, a Bíblia é tão defendida como um livro bom, mas até agora pouco vi disso. Gostaria do fundo do meu coração poder fazer anotações boas sobre o conteúdo deste livro, mas não é exatamente o que tenho encontrado.
O Primeiro Livro dos Reis vai relatar o reinado de Salomão sobre Israel, a sua suposta sabedoria divina e os miseráveis reis que o sucederam. Mas Salomão tão bem quisto e admirado me decepcionou profundamente. Primeiramente, pensei que ele fosse bom, mas vejam só. Como o primogênito de Davi havia morrido, o rei prometera então a mãe de Salomão que este o sucederia, mas nesse intervalo outro filho de Davi proclamou-se rei com o apoio de um militar e sacerdote do reino. Mas Salomão foi quem consagrou-se rei de fato. Em um primeiro momento havido sido até misericordioso perante a pretensão do irmão, mas logo após ordenou a sua morte, a do militar e a do sacerdote. Cadê a misericórdia divina? Que o expulsasse do reino, mas mandar matar! Salomão foi calculista e agiu desprovido de bons sentimentos. Todo o conteúdo do segundo capítulo lembrou-me a crueldade e as ações premeditadas quando se tratava da sucessão ao trono no império romano. Mas enfim, diz-se que a Bíblia é a palavra de Deus...
Contudo, antes de eu lançar nova crítica, falemos sobre o pedido mais importante que Salomão faz a Deus e este pede: (1Rs 3. 9) "Portanto, dá ao teu servo um coração atento para julgar o teu povo e discernir entre o bem e o mal. Pois quem poderia governar este teu povo tão numeroso?" Nossa! Finalmente um pouco de coerência com aquilo que se preceita ser Deus. E este pedido, muito bonito, é atendido. Entretanto, no mesmo capítulo há um momento em que esta suposta sabedoria é colocada a prova dando a todos os expectadores uma demonstração da grandiosidade da sabedoria de Salomão. Mas o que eu percebi nada tinha de parecido com isso.
Lembro-me quando criança quando ouvi a primeira vez esta história contada pelo Mons. Cleano no domingo pela manhã na missa das crianças. Contava ele o quanto era divina a sabedoria de Salomão e quanto estava embevecida pela benção de Deus quando diante de duas mulheres que alegavam ser a mãe de uma criança e que recorreram ao rei para que uma decisão fosse tomada sobre quem ficaria com o bebê. Acontece que durante a noite o filho de uma delas havia morrido e esta mãe trocara as crianças para que ficasse com a viva. Contudo, a outra mãe alegava a mesma história atribuindo a culpa à mãe oposta. Então, não se sabia exatamente quem seria a mãe legítima da criança viva. Assim, Salomão ordenou que a criança fosse partida ao meio e nesse momento a legítima mãe revelou-se quando implorou que isso não fosse feito e que a criança fosse cedida para a outra. Até aí, tudo bem! Oh grande sabedoria divina fajuta! Se a outra tivesse permanecido calada, eu compreenderia que Salomão foi sensível ao perceber que o desespero da mãe legítima aflorara-se naquele momento e ao mesmo tempo se sacrificava para ceder o filho. Perguntou-me então, por que esses contos não são narrados na íntegra? Eis o que a ilegítima falou: (1Rs 3. 26) "Nem para mim, nem para ela: cortai-a em dois pedaços". Por favor, convenhamos, não é necessário nem mesmo da graduação em Serviço Social para perceber que esta era uma desequilibrada. Atribuir a decisão de Salomão à sabedoria divina é subestimar demais o poder de Deus. Oh decepção!
Tirando isso, o livro relata as extravagâncias de Salomão sacrificando animais, construindo altar de bronze, de ouro, provendo sustento para setecentas esposas e trezentas concubinas. Duvido que isso seria louvável se fosse uma mulher com setecentos maridos e trezentos amantes! Teria sido apedrejada logo no segundo homem. Isso não incomodava a Deus, mas o fato de Salomão ter buscado uma deusa de nome Astarte, isso enchia de cólera ao SENHOR por conta de um ciúme muito suspeito. Só me leva a crer, na verdade, que de fato ele não era o único. Talvez nem mesmo se trate do mesmo deus presente no segundo testamento. Sei lá... Há uma passagem quase ao final do capítulo 18 em que Deus, através do profeta Elias ordena que se capture os adoradores de Baal e os degolem. Em razão de que mesmo esse Deus é tão superior ao demônio Baal? Mais uma vez, sei não. Mas continuo achando revoltante o fato de a Bíblia ser nomeada enquanto "Palavra de Deus".
Findando o reinado de Salomão o livro relata uma série de reinados infelizes de vários reis que desagradaram a Deus e que tiveram destinos miseráveis e impiedosos em Israel.



