domingo, 24 de agosto de 2014

Leitura do Primeiro Livro dos Reis

Decepção! Sinceramente, a Bíblia é tão defendida como um livro bom, mas até agora pouco vi disso. Gostaria do fundo do meu coração poder fazer anotações boas sobre o conteúdo deste livro, mas não é exatamente o que tenho encontrado.

O Primeiro Livro dos Reis vai relatar o reinado de Salomão sobre Israel, a sua suposta sabedoria divina e os miseráveis reis que o sucederam. Mas Salomão tão bem quisto e admirado me decepcionou profundamente. Primeiramente, pensei que ele fosse bom, mas vejam só. Como o primogênito de Davi havia morrido, o rei prometera então a mãe de Salomão que este o sucederia, mas nesse intervalo outro filho de Davi proclamou-se rei com o apoio de um militar e sacerdote do reino. Mas Salomão foi quem consagrou-se rei de fato. Em um primeiro momento havido sido até misericordioso perante a pretensão do irmão, mas logo após ordenou a sua morte, a do militar e a do sacerdote. Cadê a misericórdia divina? Que o expulsasse do reino, mas mandar matar! Salomão foi calculista e agiu desprovido de bons sentimentos. Todo o conteúdo do segundo capítulo lembrou-me a crueldade e as ações premeditadas quando se tratava da sucessão ao trono no império romano. Mas enfim, diz-se que a Bíblia é a palavra de Deus...

Contudo, antes de eu lançar nova crítica, falemos sobre o pedido mais importante que Salomão faz a Deus e este pede: (1Rs 3. 9) "Portanto, dá ao teu servo um coração atento para julgar o teu povo e discernir entre o bem e o mal. Pois quem poderia governar este teu povo tão numeroso?" Nossa! Finalmente um pouco de coerência com aquilo que se preceita ser Deus. E este pedido, muito bonito, é atendido. Entretanto, no mesmo capítulo há um momento em que esta suposta sabedoria é colocada a prova dando a todos os expectadores uma demonstração da grandiosidade da sabedoria de Salomão. Mas o que eu percebi nada tinha de parecido com isso.

Lembro-me quando criança quando ouvi a primeira vez esta história contada pelo Mons. Cleano no domingo pela manhã na missa das crianças. Contava ele o quanto era divina a sabedoria de Salomão e quanto estava embevecida pela benção de Deus quando diante de duas mulheres que alegavam ser a mãe de uma criança e que recorreram ao rei para que uma decisão fosse tomada sobre quem ficaria com o bebê. Acontece que durante a noite o filho de uma delas havia morrido e esta mãe trocara as crianças para que ficasse com a viva. Contudo, a outra mãe alegava a mesma história atribuindo a culpa à mãe oposta. Então, não se sabia exatamente quem seria a mãe legítima da criança viva. Assim, Salomão ordenou que a criança fosse partida ao meio e nesse momento a legítima mãe revelou-se quando implorou que isso não fosse feito e que a criança fosse cedida para a outra. Até aí, tudo bem! Oh grande sabedoria divina fajuta! Se a outra tivesse permanecido calada, eu compreenderia que Salomão foi sensível ao perceber que o desespero da mãe legítima aflorara-se naquele momento e ao mesmo tempo se sacrificava para ceder o filho. Perguntou-me então, por que esses contos não são narrados na íntegra? Eis o que a ilegítima falou: (1Rs 3. 26) "Nem para mim, nem para ela: cortai-a em dois pedaços". Por favor, convenhamos, não é necessário nem mesmo da graduação em Serviço Social para perceber que esta era uma desequilibrada. Atribuir a decisão de Salomão à sabedoria divina é subestimar demais o poder de Deus. Oh decepção!

Tirando isso, o livro relata as extravagâncias de Salomão sacrificando animais, construindo altar de bronze, de ouro, provendo sustento para setecentas esposas e trezentas concubinas. Duvido que isso seria louvável se fosse uma mulher com setecentos maridos e trezentos amantes! Teria sido apedrejada logo no segundo homem. Isso não incomodava a Deus, mas o fato de Salomão ter buscado uma deusa de nome Astarte, isso enchia de cólera ao SENHOR por conta de um ciúme muito suspeito. Só me leva a crer, na verdade, que de fato ele não era o único. Talvez nem mesmo se trate do mesmo deus presente no segundo testamento. Sei lá... Há uma passagem quase ao final do capítulo 18 em que Deus, através do profeta Elias ordena que se capture os adoradores de Baal e os degolem. Em razão de que mesmo esse Deus é tão superior ao demônio Baal? Mais uma vez, sei não. Mas continuo achando revoltante o fato de a Bíblia ser nomeada enquanto "Palavra de Deus".

Findando o reinado de Salomão o livro relata uma série de reinados infelizes de vários reis que desagradaram a Deus e que tiveram destinos miseráveis e impiedosos em Israel.

sábado, 9 de agosto de 2014

Leitura do Segundo Livro de Samuel

Antes de escrever esse post eu fiquei uns dois dias sem saber exatamente o que iria dizer sobre um livro no qual toda a história passou desapercebida. Desapercebida no sentido de que não me transmitiu nada de interessante. Contudo, eu consegui formular uma ideia. Ainda não li nada sobre o rei Salomão, mas sei que este foi importante. Ele é mencionado diversas vezes pelos cultos religiosos que acontecem por aí. Entretanto, os dois livros de Samuel tratam em peso sobre a história do rei Davi que seria o rei de Israel que antecedeu Salomão. Então, penso que estes dois livros serviu apenas para ilustrar o que supostamente teria acontecido antes de Salomão - nada mais que isso. 

Na minha percepção, Samuel I e II são livros vazios cuja história não apresenta nenhuma evolução para o povo de Deus e nem muito menos de forma literal para os escritos. Acho que poder-se-ia ter começado direto da parte que cabe a Salomão, já que a história começa mesmo pelo estribilho "Era uma vez...".


Mas sobre a história, Davi é consagrado rei em Israel e após isso ele tem cada um de seus seis filhos com uma mulher diferente (essa cultura não é nossa e muita gente que prega a Bíblia não se toca que isso aconteceu numa região árabe e absolutamente em nada tem a ver com o nosso país). Davi conquista Jerusalém, conduz a arca da aliança para lá, promove-se uma série de outras guerras por razões religiosas, guerras essas que até hoje acontecem por lá. O rei Davi comete alguns pecados também, que a meu ver são até mais naturais do que outros que a Bíblia ignora até esse ponto, justamente em razão de ser uma época diferente, de leis diferentes e de compreensões diferentes, mas tudo bem (desisto de fazer que as pessoas compreendam isso!). Esse rei eleito por Deus tinha muitas concubinas, por exemplo, mas enfim... Acontece ainda um crime de incesto com dois filhos de Davi. O primogênito morre e Deus dá opção de escolher três desgraças em seu reino (2Sm 24. 12-13): 

"Vai dizer a Davi: Assim fala o SENHOR: Eu te proponho três alternativas; escolhe uma delas, e eu farei acontecer! Gad foi falar com Davi e lhe disse: "Queres que sobrevenha ao país uma fome de sete anos, ou queres fugir durante três meses diante do inimigo que te perseguirá, ou preferes três dias de peste no país? Agora reflete bem na resposta que devo levar a quem me enviou".  Nossa que Deus bondoso! Davi escolheu a terceira.

E é isso, o Segundo Livro de Samuel.

sábado, 2 de agosto de 2014

Leitura do Primeiro Livro de Samuel

A leitura deste livro segue uma linha de narrativa diferente dos livros anteriores, uma vez que não dá seguimento a nenhuma história antecessora. A primeira frase, por exemplo, no primeiro versículo diz "Era uma vez um homem de Ramatain". A partir dessa introdução pitoresca ele vai relatar a história desse Samuel, que assim como Moisés ou Josué seria um sacerdote capaz de receber as orientações direto de Deus para o seu povo. História essa que é contada desde a sua infância e que, a medida em que vai sendo narrada, vai agregando outros temas ainda mais importantes que o dele. A participação de Samuel fica muito subjetiva no livro, de forma que, a história de outros personagens se tornam mais importantes que a dele próprio.

Os outros personagens que se destacam são Saul, um moço que por intermédio da inspiração de Samuel é nomeado rei de Israel e o outro se chama Davi, o famoso Rei Davi que matou Golias e que é representado pela arte em obras como a de Michelangelo ou a de Caravaggio.

Até o ponto em que conhecemos a história de Saul, o referido livro não me chamou a atenção em nenhum momento - uma história vazia sem qualquer detalhe que compreenda um ensinamento religioso, nem de bom, nem de mau. Contudo, as atrocidades reaparecem no capítulo 15 quando Saul ordena uma guerra sem o consentimento de Samuel e de novo vem aquela história de "extermínio do povo, passando-o ao fio da espada" (1Sm 15. 8). A partir desse momento Samuel diz a Saul que ele fora rejeitado por Deus em razão de tal imprudência. Entretanto, o próprio Samuel também executa uma morte cruel, que aos olhos da Bíblia se faria necessária e até sob o consentimento de Deus, uma vez que seria uma sentença por um crime, mas que é aplicada a meu ver, mais como uma vingança. (1Sm 15. 33) "Samuel disse: Como tua espada privou de filhos as mulheres, assim entre as mulheres seja privada do filho a tua mãe! Em seguida Samuel cortou Agag em pedaços na presença do SENHOR em Guigal."

Desse ponto em diante, surge Davi, filho caçula de Jessé, um moço de caráter honrado e que prometeria ser o novo rei de Israel. Tal fato (o de ser o novo rei) incomoda por demais Saul que no decorrer de todo o livro tenta matá-lo sem sucesso. Mas seu destaque maior se dá para a história por Davi conseguir, quando nenhum se atreveu, vencer o gigante Golias. Um soldado filisteu e de um povo inimigo de Israel. Tal feito é bem retratado neste vídeo, por exemplo, produzido pela TV Record.


No decorrer de todo o livro em que Davi participa, este se revela inteiramente bom e honrado. É muito bonita a cena em que ele prova para Saul que teve todas as chances de matá-lo e que não procedera de tal maneira por não acreditar que esse seja o caminho para a paz. Porém, noutro ponto, um fato me chamou bastante a atenção, pois não compreendi bem a lógica das escrituras. Há um espírito mau da parte de Deus que se apossa de Saul para compeli-lo ao ódio por Davi. Mais de uma vez! Como assim? Deus manipulava o sentimento de Saul? Um exemplo: (1Sm 18. 10) "No dia seguinte, o espírito mau de Deus tomou conta de Saul, de modo que ele teve um acesso de fúria na sua casa." Leiam e tirem suas conclusões, pois isso acontece pelo menos três vezes. 

Enfim, o livro termina com a morte de Saul frente a uma outra guerra. Contudo, considerando os achados, encontrei algo bom e coerente com aquilo que acredito ser Deus. Um ensinamento muito bonito está escrito em 1Sm 16. 7. O mesmo diz: "Deus não olha para o que as pessoas olham: elas olham para as aparências, mas o SENHOR olha para o coração." Só que no meio de tanta morte em nome de Deus, até agora o antigo testamento só me tem revelado um Deus confuso, contraditório e incoerente.