quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Leitura do Primeiro Livro dos Macabeus

Eu nunca li a Ilíada de Homero, mas esse livro oportunamente retrata algumas cenas que se encontram naquele poema épico. Não me sinto muito a vontade para comentar qualquer opinião sobre este livro, pois este é complexo demais e envolve além das questões religiosas, características geográficas, históricas e políticas da época que para serem compreendidas requerem muito estudo e atenção. São muitos detalhes sobre o movimento descrito no livro. As guerras narradas, as posições, a cultura, os dados históricos e principalmente os movimentos políticos. Além disso, cita vários personagens e elementos que se poderia encontrar facilmente em outros livros que não apenas a Bíblia. Achei isso interessante! Alexandre o Grande, os espartanos, a Guerra de Tróia, são alguns dentre a grandiosidade de coisas citadas.



O tema geral descreve a luta dos judeus pela sua libertação religiosa. Mas é muito mais que isso, há muito mais política que religião nesse livro. E em alguns momentos, por conta dos exageros em mortes e soldados em guerra, esse livro me lembrou muito do livro de Números. Exércitos em números que espantariam até mesmo nos dias hoje e mortes em quantidades extraordinárias.

Mas, pesquisando na wikipedia um resumo do que se poderia ter essencialmente deste livro, encontrei isso: O livro identifica religião e patriotismo, descrevendo a revolta como verdadeira guerra santa, abençoada pelo próprio Deus, que não abandona os que lutam para ser fiéis a ele. É um convite para encarnar a fé em ação política e revolucionária. Ao invés de ser concebida como refúgio seguro fora do mundo, a fé se torna fermento libertador, que provoca transformações dentro da história e da sociedade. Sobretudo, mostra que um povo, por mais fraco que pareça, jamais deve se conformar diante da prepotência dos poderosos.

Apesar de ser um livro considerado importante para a compreensão da história do povo israelita, aliás, esse é o único motivo, não sei se captei bem o sentido de um livro desses estar presente entre os textos da Bíblia.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Leitura de Ester

O livro de Ester vai contar a história de uma israelita que devido uma série de detalhes vem a se tornar imperatriz da Pérsia, fato que esse que condiciona bastante e de forma favorável o futuro do povo de Israel.

Neste livro ainda temos a temática de dominação do homem sobre a mulher, pois a forma com que é dada a oportunidade para que Ester se torne esposa do imperador parte antes da substituição da Rainha Vasti por Ester. E acontece de uma forma extremamente ardilosa e machista. Os próprios argumentos que fazem da rainha uma pessoa não muito indicada para continuar no posto são inteiramente pautados numa concepção de que a mulher é um ser inferior e que deve estar sujeita às vontades patriarcais.

Acontece de que os judeus estavam exilados na Babilônia desde a destruição do Templo de Salomão pelo babilônicos e dispersão do Reino de Judá. A Babilônia, por sua vez, foi conquistada pela Pérsia. Ou seja, os judeus israelitas estavam suprimidos. Como Ester, pessoa deste povo vem a se tornar rainha, de certa forma e até compreensível, ela manipula o rei para que politicamente o seu povo seja favorecido numa determinada situação. Como sempre vem aqueles argumentos de que este é um povo escolhido por Deus. Esta alegação por si própria já é contraditória porque no meu entender ela faz de Deus um ser medíocre que exclui o restante das pessoas e não um Deus grande e abrangente. Mas chamo a atenção para o seguinte trecho (Est 9. 12):

O rei disse á rainha Ester: "Só na fortaleza de Susa os judeus mataram e exterminaram quinhentos homens, bem como os dez filhos de Amã. que terão eles feito nas demais províncias do reino? E agora, pede-me o que quiseres e te será concedido! Que mais desejas, e será feito!"

Se Deus realmente, por talvez que não querer sujar as mãos ou descartar a hipótese de melhorar a sua criação, uma vez que ele é poderoso o suficiente pra criar a Terra e depois realizar um dilúvio sobre ela, e realmente resolvesse escolher um povo dentre todos aqueles que também foram sua criação, então ele escolheu um povo qualquer e não muito melhor do que todos os outros. Digo isso, pois quando tiveram oportunidade e apoio, os judeus massacraram pessoas tanto quanto já foram massacrados. Detalhe que esta colocação no trecho acima é relatada em tom de júbilo e sucesso.


segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Leitura de Judite

O livro de Judite ao mesmo tempo em que revela o amor e confiança de uma viúva aos poderes de Deus, se define também através desse mesmo ato narrado nessa história como uma contradição de valores morais incrivelmente absurda.

Terminado o livro de Tobias, novamente vem aquele cenário de guerra que já te faz perder completamente a noção sobre qual é o objetivo de tanta matança. Que realmente já não importa mais. Tanto faz! A guerra é uma realidade da rotina do povo de Israel tanto quando dormir ou respirar. Enfim, mas nesse caso o cenário serve apenas para ilustrar a artimanha de uma mulher israelita.

Comecei a estranhar a partir de uma frase no final do capítulo 8 que diz (Jt 8. 35): "Vai em paz! Que o Senhor Deus esteja diante de ti, para castigo de nossos inimigos!" Essa parte sobre o "castigo de nossos inimigos" é muito comum na fala, na música e no discursos da maioria dos evangélicos. É um conceito confuso que ao mesmo tempo em que incita o crente a pensar ser melhor que alguém, prega o ódio por criar a perspectiva da inimizade e, ainda por cima, o sofrimento daqueles que são diferentes, pois roga-os ao castigo.

Pra resumir o fato, Judite promete ajudar o seu povo e sai de onde eles estariam para juntar-se ao exército inimigo e que os ameaça naquele contexto. Se perfuma e se ajeita para seduzir estes homens estrangeiros. Em um momento oportuno decepa a cabeça do chefe desses inimigos e a leva como prova de sua capacidade até o seu povo que passa a se ver uma vez mais a frente dos inimigos e passam a glorificar a atitude violenta e audaz de Judite. Eu sinceramente, achei muito interessante pois ilustra a lição de que a mulher não deve ser subestimada, mas é absurdamente contraditório que isso seja exemplo de promoção da paz e da bondade. A Bíblia não deveria ser o livro da salvação? Outra frase de choque (Jt 13. 18) " E bendito seja o Senhor Deus, que criou os céus e a terra e te levou a decepar a cabeça do chefe de nossos inimigos!". Ela está sendo aplaudida nesse momento. Não é estranho!?

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Leitura de Tobias

O livro de Tobias traz uma história cheia de elementos fantasiosos que parecem ter sido criados propositalmente para serem apreciados por qualquer leitor. Eu gostei!

De acordo com a edição pastoral da Bíblia Sagrada (dados esses que coletei da wikipedia), há estudos que indicam que o Livro de Tobias foi escrito por volta do ano de 200 a.C. e que não relata uma história real, pois os acontecimentos aí descritos dificilmente se enquadram na história desse período. O livro pertence ao gênero sapiencial e é uma espécie de romance ou novela, destinado a transmitir ensinamentos.

Foi o primeiro dentre os que li que traz mensagens construtivas e demonstra de fato atos de bondade e de amor. Amor familiar, amor religioso, fraternidade, honestidade e romance. Entre os elementos fantasiosos, tem-se, por exemplo, a participação de um anjo (Rafael) e uma recomendação que ele próprio faz no sentido de curar males do corpo e espantar espíritos ruins. Outro que me chamou a atenção foi sobre uma suposta maldição implantada na prima de Tobias que perdia todos os maridos antes da consumação do casamento. Este detalhe é narrado na história de uma forma diferente de outras supostas maldições que aparecem nos livros anteriores. Nessa, há uma romantização do drama, assim como um elo de fatos que são postos como que para manter a curiosidade do leitor.

Gostei desse livro porque não senti nenhuma castidade, sofrimento ou medo infligido sobre aqueles que queiram crer em Deus. No capítulo 4, por exemplo, o pedido do pai de Tobias é tão puro e bom que na minha opinião se define numa aproximação daquilo que se poderia e deveria ser Deus. Eis um trecho (Tb 4. 6):

"Porquanto, seguindo a verdade, obterás êxito em teus trabalhos, assim como todos os que praticam a justiça."

domingo, 2 de novembro de 2014

Leitura de Neemias

O livro de Neemias relata a composição de alguns aspectos da população de Israel após todos os acontecimentos relatados anteriormente. Quer dizer, a partir desta perspectiva, como se houvesse mudanças naquele povo por conta dos pecados passados. Neemias é um governador que surge para dar execução e ordenamento nas profecias e instruções colocadas por Esdras.

Os acontecimentos narrados, entretanto, não acrescentem e nem diminuem algo de significativo para a elaboração do livro que se tem erroneamente como "a palavra de Deus". Relata-se a reconstrução das muralhas de Jerusalém, sobre a situação religiosa que nada mais é do que um subterfúgio para impor regras e leis jurídicas, sobre a população daquele povo, inclusive no ponto em que se faz um censo para se saber a condicionante da população masculina, sobre políticas de arrecadação de impostos na forma de dízimo e de uma xenofobia horrorosa.

No geral, o livro me passou a sensação sincera de que quanto menos Deus participava daquelas imposições, mais a paz reinava na terra. Não pretendo pregar de forma alguma o ateísmo aqui. Acredito em Deus. Mas, isso é o que a Bíblia expõe. Ela fala por si só, basta que as pessoas que rogam-na enquanto palavra de Deus busquem de fato conhecê-la.

sábado, 1 de novembro de 2014

Leitura de Esdras

O livro de Esdras vai contar o que se sucedeu com o povo de Israel depois do exílio, uma vez que neste povo houvera reinado sendo governado por um rei. Um após o outro levaram ao colapso daquela nação em razão de que ora seguiam aos preceitos definidos por aquele Deus e ora desobedeciam gratuitamente. O que detectei desse artifício sobre o cumprimento da lei de Deus era que o próprio, aquele que orientava, supostamente para o bem, era o mesmo que amaldiçoava e levava seus simplórios seres humanos a desgraça total. Certamente um Deus de grande objetivos em prol da construção.

Mas após essa ruína, surge um moço de nome Esdras que seria o sacerdote que providenciaria, através do convencimento de seu povo de que eles deveriam ainda assim seguir esse Deus misericordioso para reconstruir tudo o que possuíam. O copista das escrituras é o foco deste livro, pois o mesmo orienta que se obedeçam mesmo assim aqueles preceitos de racismo, medo, castidade, xenofobia. Essas coisas boas que edificam o pensamento do ser humano! O livro trata da fidelidade de Deus e da infidelidade do homem. Lógico! A esse Deus aí, "graças a Deus" também sou infiel.

Eis uma passagem que ilustra bem esse ideia de medo: (Esd 7. 26) "E quem não observar religiosamente a Lei de teu Deus e a lei do rei deve ser condenado à morte, ao exílio, a uma multa ou à prisão".

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Leitura do Segundo Livro das Crônicas

O Segundo Livro das Crônicas vai recontar com o acréscimo de alguns pormenores sobre o reinado de Salomão, sobre sua atitude louvável de pedir sabedoria a Deus e de seus feitos em meio ao povo de Israel: construção do templo, trasladação da arca, suas orações, a sua visita da Rainha de Sabá até sua morte.

Em seguida, o livro vai recontar, talvez pra quem não entendeu ainda, que todos (todos = força de expressão) os reis que se seguiram não foram dignos de Deus, pois não obedeciam aos seus preceitos e se manifestavam suscetíveis a outras formas de fé que não àquela prescrita por este Deus específico, o Senhor dos Israelitas. Vai recontar que todos esses reis foram fracos e que de forma contínua contribuíram para a ruína dessa nação. Fica bem claro isso, que o Deus da Bíblia, trata-se de um Deus não do mundo todo, mas apenas daquele povo, daquela região, daquela tempo, daquela descendência de Abraão. O que é contraditório, pois o mesmo se diz ser criador do céu e da terra.
Estes reis, em suma, foram "amaldiçoados" por não obedecer às regras ou cumprir com deveres que se esperava serem postos em prática. Isso a partir da perspectiva desse suposto Deus. Ainda bem que se trata de um período diferente do atual, pois se este mesmo Deus que dizem ser aquele atribuído à maioria das religiões cristãs de hoje exigisse o cumprimento de tais regras nos dias de hoje (Cruz Credo!), viveríamos numa guerra santa constante. O mundo não conheceria a paz na América nem na Europa em nome desse "Deus de Amor e Misericordioso". Estaríamos submersos num oriente médio de guerra religiosa e geográfica.
A Bíblia e a pregação dela nos dias de hoje se contradizem todo o tempo numa filosofia falha. No reinado de Acab, por exemplo, relatado no capítulo 18, temos o uso de 400 profetas que deveriam prever ou receber orientações divinas de como o rei deveria proceder. Tal exercício deveria ser feito a maneira que Deus desejaria e, no entanto, a maioria dessas religiões abominam as práticas de adivinhação. Conheço uma evangélica que, por exemplo, condena os simplórios curiosos sem maldade que leem o seu horóscopo de manhã. "Não existe esse negócio de signo", diz ela.
Enfim, o livro encerra com o fim de Jerusalém e o exílio desse povo. Detalhe este, único que não ficou bem claro ao final do Segundo Livro dos Reis.

sábado, 13 de setembro de 2014

Leitura do Primeiro Livro das Crônicas


Sobre este livro penso que talvez seja esta a postagem na qual vou menos falar. O livro na verdade se trata de uma recontagem dos principais ocorridos nos livros de Samuel, sobretudo daqueles que fazem referência ao Rei Davi. Volto a dizer que, apesar das incongruências de valores daquele tempo com os valores atuais, Davi ainda assim, traz valiosos ensinamentos, como não pregar o ódio, ou a aversão, assim como da aceitação e do perdão. Gostei dele! Ele era gente boa!

O Primeiro Livro das Crônicas vai relatar então, de início, como se fosse uma recapitulação das linhagens e de alguns relatório "incrivelmente úteis" para a humanidade. Quem era filho de quem; quem sucedeu quem; quem foram da linhagem das 12 tribos de Israel... São tantos nomes que creio seriamente que cristão nenhum compreenderá o propósito de tantas listas. A um historiador, teólogo, ou estudioso talvez possua algum propósito ou utilidade, mas para os demais, duvido. São muitos nomes! Você se perde na leitura até o capítulo 9 com esse extenso relato de nomes árabes. E daí então, temos uma nova narração de alguns fatos que permearam a história do rei Davi, de seus sacerdotes, suas guerras, dos castigos, das perseguições aos cultistas, além de alguns relatórios sobre os homens que ficavam nos portões da cidade ou do templo, sobre quantos sacerdotes eram precisos para uma cerimônia, sobre quantos soldados eram necessários para aniquilar uma cidade, sobre os cantores da "igreja", sobre as doações recebidas, as edificações e administração deste estado teísta, mas que sem perceber, profundamente henoteísta.

sábado, 6 de setembro de 2014

Leitura do Segundo Livro dos Reis

Desde que comecei a ler a Bíblia, estive no início sob a perspectiva de que iria me maravilhar com os bons ensinamentos que o livro traria para a minha vida. Antes que pareça ingenuidade da minha parte, esclareço que não era exatamente isso, mas uma postura de boa fé e auto-repreensão de que talvez eu estivesse sendo negligente ou uma má pessoa por não ter lido ainda esse livro que, sem dúvida, é um dentre aqueles que modificaram a história da humanidade. Decidi acreditar de que veria coisas boas, pois me coloquei de acordo com o que sempre ouvi falar, a vida inteira, das pessoas que o defendiam como a "Palavra de Deus". Só que não! Mas bem, vou deixar essas reflexões para quando encerrar o Antigo Testamento, pois agora que me encontro com um terço dele concluído. Inicio essas impressões nesse teor, entretanto, em razão da sensação geral que o Segundo Livro dos Reis me deixou.

Na verdade, para ser sincero, tenho uma impressão forte e polêmica demais a respeito, que me dá grande receio de compartilhar aqui. Não vou revelar na totalidade, pois como já dizem, para todo bom entendedor meia palavra basta. Não me condenem por isso, mas o livro me passa no geral a impressão de que, o Deus relatado aí não se trata de fato do mesmo Deus que a maioria das pessoas acredita. Não sei, parece mesmo um Deus inferior, um Deus pequeno, talvez até um ser sobrenatural criado pelo verdadeiro Deus. Ele chega a ser colocado no mesmo pé de igualdade que um suposto Baal. Deu para captar? Não há nada que indique em suas ações e determinações um traço que indique algo de universalmente superior ou supremo. Eu parto da premissa de que não há bem que justifique um mal. E há no capítulo 10 a narrativa de um massacre feito à família real de Israel. A mando de quem? Vou nem responder...

O Segundo Livro dos Reis vai relatar o que aconteceu no reinado de Israel após a sucessão do pseudo-sábio rei Salomão. Relata brevemente, episódios chave que tornaram a grande maioria de seus sucessores reis infelizes que desagradavam a Deus. Trata-se em suma de uma repetitiva e cansativa narrativa de seus reinados, sobre o que construíram, o que destruíram, que terras conquistaram, sobre quem mandaram matar, sobre quem traiu quem, numa extensa e repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, narração de guerra, ódio, vício e sei nem mais o quê... Mas sobre o reinado de cada um, o capítulo também sempre encerra com os dizeres: "O resto da história e tudo o que fez estão registrados no livro dos Anais do Reis de Israel". Há uma variação quando se substitui Israel, para relatar o governo de um rei de Judá. A frase é a mesma, muda-se apenas esta última palavra.

Enfim, esse livro não se trata de coisas boas que devamos fazer para promover o bem e evoluir enquanto ser humano e sim, de coisas que NÃO se deve fazer para não sofrer os castigos de Deus. E minhas orações a cerca dessa literatura são no sentido de que eu não desanime antes de concluir essa leitura.

domingo, 24 de agosto de 2014

Leitura do Primeiro Livro dos Reis

Decepção! Sinceramente, a Bíblia é tão defendida como um livro bom, mas até agora pouco vi disso. Gostaria do fundo do meu coração poder fazer anotações boas sobre o conteúdo deste livro, mas não é exatamente o que tenho encontrado.

O Primeiro Livro dos Reis vai relatar o reinado de Salomão sobre Israel, a sua suposta sabedoria divina e os miseráveis reis que o sucederam. Mas Salomão tão bem quisto e admirado me decepcionou profundamente. Primeiramente, pensei que ele fosse bom, mas vejam só. Como o primogênito de Davi havia morrido, o rei prometera então a mãe de Salomão que este o sucederia, mas nesse intervalo outro filho de Davi proclamou-se rei com o apoio de um militar e sacerdote do reino. Mas Salomão foi quem consagrou-se rei de fato. Em um primeiro momento havido sido até misericordioso perante a pretensão do irmão, mas logo após ordenou a sua morte, a do militar e a do sacerdote. Cadê a misericórdia divina? Que o expulsasse do reino, mas mandar matar! Salomão foi calculista e agiu desprovido de bons sentimentos. Todo o conteúdo do segundo capítulo lembrou-me a crueldade e as ações premeditadas quando se tratava da sucessão ao trono no império romano. Mas enfim, diz-se que a Bíblia é a palavra de Deus...

Contudo, antes de eu lançar nova crítica, falemos sobre o pedido mais importante que Salomão faz a Deus e este pede: (1Rs 3. 9) "Portanto, dá ao teu servo um coração atento para julgar o teu povo e discernir entre o bem e o mal. Pois quem poderia governar este teu povo tão numeroso?" Nossa! Finalmente um pouco de coerência com aquilo que se preceita ser Deus. E este pedido, muito bonito, é atendido. Entretanto, no mesmo capítulo há um momento em que esta suposta sabedoria é colocada a prova dando a todos os expectadores uma demonstração da grandiosidade da sabedoria de Salomão. Mas o que eu percebi nada tinha de parecido com isso.

Lembro-me quando criança quando ouvi a primeira vez esta história contada pelo Mons. Cleano no domingo pela manhã na missa das crianças. Contava ele o quanto era divina a sabedoria de Salomão e quanto estava embevecida pela benção de Deus quando diante de duas mulheres que alegavam ser a mãe de uma criança e que recorreram ao rei para que uma decisão fosse tomada sobre quem ficaria com o bebê. Acontece que durante a noite o filho de uma delas havia morrido e esta mãe trocara as crianças para que ficasse com a viva. Contudo, a outra mãe alegava a mesma história atribuindo a culpa à mãe oposta. Então, não se sabia exatamente quem seria a mãe legítima da criança viva. Assim, Salomão ordenou que a criança fosse partida ao meio e nesse momento a legítima mãe revelou-se quando implorou que isso não fosse feito e que a criança fosse cedida para a outra. Até aí, tudo bem! Oh grande sabedoria divina fajuta! Se a outra tivesse permanecido calada, eu compreenderia que Salomão foi sensível ao perceber que o desespero da mãe legítima aflorara-se naquele momento e ao mesmo tempo se sacrificava para ceder o filho. Perguntou-me então, por que esses contos não são narrados na íntegra? Eis o que a ilegítima falou: (1Rs 3. 26) "Nem para mim, nem para ela: cortai-a em dois pedaços". Por favor, convenhamos, não é necessário nem mesmo da graduação em Serviço Social para perceber que esta era uma desequilibrada. Atribuir a decisão de Salomão à sabedoria divina é subestimar demais o poder de Deus. Oh decepção!

Tirando isso, o livro relata as extravagâncias de Salomão sacrificando animais, construindo altar de bronze, de ouro, provendo sustento para setecentas esposas e trezentas concubinas. Duvido que isso seria louvável se fosse uma mulher com setecentos maridos e trezentos amantes! Teria sido apedrejada logo no segundo homem. Isso não incomodava a Deus, mas o fato de Salomão ter buscado uma deusa de nome Astarte, isso enchia de cólera ao SENHOR por conta de um ciúme muito suspeito. Só me leva a crer, na verdade, que de fato ele não era o único. Talvez nem mesmo se trate do mesmo deus presente no segundo testamento. Sei lá... Há uma passagem quase ao final do capítulo 18 em que Deus, através do profeta Elias ordena que se capture os adoradores de Baal e os degolem. Em razão de que mesmo esse Deus é tão superior ao demônio Baal? Mais uma vez, sei não. Mas continuo achando revoltante o fato de a Bíblia ser nomeada enquanto "Palavra de Deus".

Findando o reinado de Salomão o livro relata uma série de reinados infelizes de vários reis que desagradaram a Deus e que tiveram destinos miseráveis e impiedosos em Israel.

sábado, 9 de agosto de 2014

Leitura do Segundo Livro de Samuel

Antes de escrever esse post eu fiquei uns dois dias sem saber exatamente o que iria dizer sobre um livro no qual toda a história passou desapercebida. Desapercebida no sentido de que não me transmitiu nada de interessante. Contudo, eu consegui formular uma ideia. Ainda não li nada sobre o rei Salomão, mas sei que este foi importante. Ele é mencionado diversas vezes pelos cultos religiosos que acontecem por aí. Entretanto, os dois livros de Samuel tratam em peso sobre a história do rei Davi que seria o rei de Israel que antecedeu Salomão. Então, penso que estes dois livros serviu apenas para ilustrar o que supostamente teria acontecido antes de Salomão - nada mais que isso. 

Na minha percepção, Samuel I e II são livros vazios cuja história não apresenta nenhuma evolução para o povo de Deus e nem muito menos de forma literal para os escritos. Acho que poder-se-ia ter começado direto da parte que cabe a Salomão, já que a história começa mesmo pelo estribilho "Era uma vez...".


Mas sobre a história, Davi é consagrado rei em Israel e após isso ele tem cada um de seus seis filhos com uma mulher diferente (essa cultura não é nossa e muita gente que prega a Bíblia não se toca que isso aconteceu numa região árabe e absolutamente em nada tem a ver com o nosso país). Davi conquista Jerusalém, conduz a arca da aliança para lá, promove-se uma série de outras guerras por razões religiosas, guerras essas que até hoje acontecem por lá. O rei Davi comete alguns pecados também, que a meu ver são até mais naturais do que outros que a Bíblia ignora até esse ponto, justamente em razão de ser uma época diferente, de leis diferentes e de compreensões diferentes, mas tudo bem (desisto de fazer que as pessoas compreendam isso!). Esse rei eleito por Deus tinha muitas concubinas, por exemplo, mas enfim... Acontece ainda um crime de incesto com dois filhos de Davi. O primogênito morre e Deus dá opção de escolher três desgraças em seu reino (2Sm 24. 12-13): 

"Vai dizer a Davi: Assim fala o SENHOR: Eu te proponho três alternativas; escolhe uma delas, e eu farei acontecer! Gad foi falar com Davi e lhe disse: "Queres que sobrevenha ao país uma fome de sete anos, ou queres fugir durante três meses diante do inimigo que te perseguirá, ou preferes três dias de peste no país? Agora reflete bem na resposta que devo levar a quem me enviou".  Nossa que Deus bondoso! Davi escolheu a terceira.

E é isso, o Segundo Livro de Samuel.

sábado, 2 de agosto de 2014

Leitura do Primeiro Livro de Samuel

A leitura deste livro segue uma linha de narrativa diferente dos livros anteriores, uma vez que não dá seguimento a nenhuma história antecessora. A primeira frase, por exemplo, no primeiro versículo diz "Era uma vez um homem de Ramatain". A partir dessa introdução pitoresca ele vai relatar a história desse Samuel, que assim como Moisés ou Josué seria um sacerdote capaz de receber as orientações direto de Deus para o seu povo. História essa que é contada desde a sua infância e que, a medida em que vai sendo narrada, vai agregando outros temas ainda mais importantes que o dele. A participação de Samuel fica muito subjetiva no livro, de forma que, a história de outros personagens se tornam mais importantes que a dele próprio.

Os outros personagens que se destacam são Saul, um moço que por intermédio da inspiração de Samuel é nomeado rei de Israel e o outro se chama Davi, o famoso Rei Davi que matou Golias e que é representado pela arte em obras como a de Michelangelo ou a de Caravaggio.

Até o ponto em que conhecemos a história de Saul, o referido livro não me chamou a atenção em nenhum momento - uma história vazia sem qualquer detalhe que compreenda um ensinamento religioso, nem de bom, nem de mau. Contudo, as atrocidades reaparecem no capítulo 15 quando Saul ordena uma guerra sem o consentimento de Samuel e de novo vem aquela história de "extermínio do povo, passando-o ao fio da espada" (1Sm 15. 8). A partir desse momento Samuel diz a Saul que ele fora rejeitado por Deus em razão de tal imprudência. Entretanto, o próprio Samuel também executa uma morte cruel, que aos olhos da Bíblia se faria necessária e até sob o consentimento de Deus, uma vez que seria uma sentença por um crime, mas que é aplicada a meu ver, mais como uma vingança. (1Sm 15. 33) "Samuel disse: Como tua espada privou de filhos as mulheres, assim entre as mulheres seja privada do filho a tua mãe! Em seguida Samuel cortou Agag em pedaços na presença do SENHOR em Guigal."

Desse ponto em diante, surge Davi, filho caçula de Jessé, um moço de caráter honrado e que prometeria ser o novo rei de Israel. Tal fato (o de ser o novo rei) incomoda por demais Saul que no decorrer de todo o livro tenta matá-lo sem sucesso. Mas seu destaque maior se dá para a história por Davi conseguir, quando nenhum se atreveu, vencer o gigante Golias. Um soldado filisteu e de um povo inimigo de Israel. Tal feito é bem retratado neste vídeo, por exemplo, produzido pela TV Record.


No decorrer de todo o livro em que Davi participa, este se revela inteiramente bom e honrado. É muito bonita a cena em que ele prova para Saul que teve todas as chances de matá-lo e que não procedera de tal maneira por não acreditar que esse seja o caminho para a paz. Porém, noutro ponto, um fato me chamou bastante a atenção, pois não compreendi bem a lógica das escrituras. Há um espírito mau da parte de Deus que se apossa de Saul para compeli-lo ao ódio por Davi. Mais de uma vez! Como assim? Deus manipulava o sentimento de Saul? Um exemplo: (1Sm 18. 10) "No dia seguinte, o espírito mau de Deus tomou conta de Saul, de modo que ele teve um acesso de fúria na sua casa." Leiam e tirem suas conclusões, pois isso acontece pelo menos três vezes. 

Enfim, o livro termina com a morte de Saul frente a uma outra guerra. Contudo, considerando os achados, encontrei algo bom e coerente com aquilo que acredito ser Deus. Um ensinamento muito bonito está escrito em 1Sm 16. 7. O mesmo diz: "Deus não olha para o que as pessoas olham: elas olham para as aparências, mas o SENHOR olha para o coração." Só que no meio de tanta morte em nome de Deus, até agora o antigo testamento só me tem revelado um Deus confuso, contraditório e incoerente.

sábado, 26 de julho de 2014

Leitura de Juízes e Leitura de Rute

Sobre a leitura do primeiro, se eu tiver compreendido bem, ficou entendido para mim que após a morte de Josué, o povo de Israel ficou sem a presença de um líder religioso e portanto, baseado naquilo que eles possuíam como instrumento de lei, elegeram-se, por um longo período, as pessoas que executaram aquilo que estava instrumentalizado. Ou seja, juízes nomeados pelo povo para supervisionar a ordem e aplicar e executar a lei de Deus.

Como que para provar a força da lei de Deus, é injetada intencionalmente na história, (pois não consigo acreditar em um povo tão volúvel assim) certas mudanças de comportamento que ao longo dos livros anteriores foi provado, repassado e revisado de todas as formas. Um exemplo? O povo se esquece de Deus e vai cultuar outros deuses. (Da minha parte, nada contra!) Mas isso só está monotonamente acrescido na história como que para ter o que julgar ou justificar a execução das severas penas impostas por um Deus de cólera.

Foi um livro desnecessariamente longo e que pouco acrescentou. Com exceção que neste mesmo é narrada uma das fábulas que mais renderam filmes e séries para a TV, que foi a estória de Sansão e seus cabelos mágicos. Enfim, o livro demonstra por A + B que o povo de Deus é um povo fraco e sem fé.


Para história, acontece de um julgamento provocar a ira da legião de Benjamin (uma das doze tribos de Israel) e por conta disso, desencadeia-se uma nova guerra, agora entre irmãos. O povo de Benjamin é praticamente dizimado, restando poucos homens, mas os anciãos, no sentido de recuperar aquela tribo, fazem a seguinte orientação em relação ao uma região próxima: (Jz 21. 20-21) Mandaram, pois, dizer ao benjaminitas: "Ide emboscar-vos nas vinhas. Quando virdes as moças de Silo saindo para tomar parte nas danças, saireis das vinhas e cada um raptará uma mulher para si dentre as moças de Silo. Em seguida ireis a terra de Benjamin.(...)"

Mais uma vez a mulher como ser passivo da vontade dos homens. É revoltante!

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Sobre a leitura de Rute, coloco nesta mesma postagem em razão de ser um livro bem curto, compreendido em apenas 4 capítulos, mas que traz um história que finalmente expõe uma demonstração de bondade e gratidão.

Rute era uma das noras de Noemi, uma mulher que havia migrado com esposo das terras de Israel numa época de fome no país. Em Moab, terra para a qual havia migrado, Noemi tivera dois filhos que lá cresceram e casaram. Com um tempo, o marido morreu e depois os filhos, restando a mesma com suas noras. Elas amavam a sogra, esta que por tamanho zelo e altruísmo orientou que as mesmas regressassem às casas de seus pais enquanto que ela, velha, iria regressar à Canaã. Uma delas se foi depois de muita insistência de Noemi, mas Rute permaneceu ao seu lado e com ela foi ao país de origem da sogra como estrangeira.

Trabalhou duro para conseguir alimento para sua matrona e enfim casou-se com um parente distante de Noemi, que pela lei jurídica definida por Deus, em razão de tal ato, deveria recuperar à Noemi a posse de suas terras antes de migrar.


Houve muita boa vontade da parte de Rute, mas ao mesmo tempo ficou no ar se elas fizeram isso de maneira premeditada e calculista. Não sei! Não consigo julgar. É impostante que você leia por si só para se deparar com as nuances das recomendações que Noemi  faz a Rute em relação ao parente.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Leitura de Josué

Nunca imaginei que houvesse um capítulo na Bíblia que pudesse retratar tantas guerras como o conteúdo deste livro. Finalizado o Pentateuco, Josué é o primeiro dos Livros da História do Povo de Deus, um povo muito valente e guerreiro, por sinal.

Em nenhum momento, durante toda a narrativa da Bíblia, até este ponto, o povo de Israel esteve tão unido. Assim como eu suspeitava no livro de Deuteronômio, Deus planejava inspirar o seu povo para enfrentar uma batalha de tamanho horror que, qualquer coisa poderia ser pecado, menos MATAR quem não fosse do povo de Deus. Sangue, minha gente! Demais! Por alguns momentos eu havia esquecido que estava lendo a Bíblia e fiquei divagando no intertexto com histórias da mitologia grega e/ou da romana. A Guerra de Troia, por exemplo. Chega a ser muito parecido com um momento histórico, que de fato aconteceu, que foram as guerras promovidas pelos escravos do império romano entre 109 a.C - 71. a.C. em que Espártaco, líder da revolta, rebelou cerca de 100 mil escravos contra o império.

Josué, diferente de Moisés, além do dever de ser um líder religioso e inspirador, era antes de tudo um Marechal do Exército de Israel. Muito sobrecarregado! E mais uma vez a Bíblia contradiz o que muitos religiosos proclamam: "A Bíblia é a nossa salvação!", dizem eles. "Céus! Deus livrai-nos desse mal!", digo eu. Enfim, este livro me trouxe a reflexão seguinte:

― Durante muito tempo a igreja perseguiu aqueles que se recusaram a dobrar-se ou obedecer às suas leis.  Sempre se ouviu falar que religião e política caminharam de mãos juntas. ― Qualquer guerra vai ser motivada por razões políticas e isso é fato. ― A guerra é um fato político. ― A inquisição então, era portanto, um fato político também? ― "Cacem as bruxas!", "Matem todos os judeus!", fatos políticos que geraram guerras.

Não sei se para as pouquíssimas pessoas que vão ler este texto, será possível acompanhar meu raciocínio. Mas certa lógica não está bem evidente? Será que a Bíblia deveria ser mesmo tida como a "palavra de Deus"? Eu era criança e conseguia captar gigantescas contradições. Por exemplo, se pela lei geral de qualquer religião do mundo, provocar a morte de outro é tido como crime ou pecado, então, há falhas nessa lei de Deus descrita no Antigo Testamento. Se essas pessoas tinham que morrer para dar cumprimento aos propósitos de Deus, então que culpa teriam esses outros se não conheceram os ensinamentos desse suposto ser superior? Era Deus mesmo? ― me pergunto. E em Josué Deus orienta que se faça emboscadas para destruir a cidade. Deus condena que morram na fogueira aqueles que fugiram com mantimentos para não enfrentar a guerra. Deus orienta que se matem todos os habitantes. E esta é uma orientação recorrente no livro. O trecho seguinte, por exemplo, é usado com bastante repetição. (Js 11. 14) "Os israelitas saquearam os despojos destas cidades junto com o gado; quanto aos seres humanos, passaram-nos todos ao fio da espada, até sua completa extinção; não deixaram um ser vivo sequer." Deus é mais!

Enfim, é um livro sangrento e pungente que relata muita matança em nome de Deus e que a partir do capítulo 13 até o 24 vai tratar basicamente, depois dessa carnificina, da partilha das terras conquistadas entre as tribos de Israel para que ali povoem e cultuem esse seu Deus.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Leitura de Deuteronômio

O livro de Deuteronômio trata de uma série de releituras sobre leis supostamente sagradas e de certo teor impositivo. Com a chegada do povo de Israel à terra prometida, em algumas cidades ainda seria preciso tomar o território do povo que ali já habitava. Eles chegaram, mas a Canaã ainda não pertencia a eles. De modo que se fez necessário revisar as lições ensinadas e impostas pelo SENHOR para que servissem como fonte de inspiração ou até mesmo justificativa para as crueldades que este povo de Deus iria executar contra aqueles com quem se defrontariam. Ao passo que há bastante revisão de coisas já ditas em livros anteriores, Deuteronômio ainda complementa algumas questões jurídicas e religiosas com exemplos bem específicos e em certos momentos até bem bizarros. Enfim... O que compreendi foi que Deus os preparava para uma guerra bem sangrenta. Um exemplo disso se vê neste trecho: (Dt 3. 3) "E o SENHOR nosso Deus entregou também em nossas mãos Og, rei de Basã, com todo o povo, e nós o derrotamos, sem deixar nenhum sobrevivente." Outro: (Dt 18. 22) "Se o profeta falar em nome do SENHOR, e o que disse não acontecer nem se realizar, então é coisa que o SENHOR não disse. O profeta falou com presunção! Não tenha receio de matá-lo!" 

Contudo, há um momento de sensatez que não tenho competência para julgar se justo ou não. No capítulo nove é relatado que, das justificativas que levaram à decisão do Senhor Deus em expulsar daquelas terras o povo que lá habitava, seria não pela justiça ou imparcialidade do povo de Israel, mas em razão das maldades praticadas por essas nações que lá viviam.

Bem, nesse livro é revisado, por exemplo, Os Dez Mandamentos, a intolerância religiosa perante outras crenças, as normas alimentares caracterizadas como abominação, o apedrejamento daqueles que não servirem em holocausto o gado sadio, a dominação da mulher como objeto sexual e passível da poligamia masculina etc.

1- Sobre a intolerância religiosa, há muita contradição, pois se Deus afirma que ele é único e superior, porque cultivar então tanta ira contra quem vai servir a um outro deus? Não percebo divindade neste arranjo, mas apenas um ciúme antrópico. Deus é muito inseguro. Ele diz que se uma mãe perceber o filho dizendo que vai adorar a outro deus, ela deve ser a primeira a entregá-lo à morte. Eu compreendo que se é tão perigoso assim, então, na visão dele, talvez deva existir de fato outros deuses.
2- Sobre as normas alimentares caracterizadas como abominação, termo este empregado também anteriormente para condenar práticas de má compreensão social, ele traz uma listagem de todos os animais considerados como pecado o usufruto de sua carne e dentre eles, vejam só, está presente o coelho, o porco, o avestruz etc. Mas sobre os que habitam a água nenhum daqueles que não possuem barbatanas e escamas. Podemos considerar aí, por dedução, o polvo, a lula, o caranguejo, o camarão etc. Por que será que não vejo nenhum pastor ou nenhum padre condenando aqueles que se alimentam de tais carnes?
3- Sobre a dominação da mulher, sinto muito desconforto quando leio tais horrores na Bíblia e ainda ter de engolir que tais pregações são da ordem de Deus. É tanta injustiça que chega a ser bizarro. Como exemplo, as penitências. Se um homem caluniar uma mulher dizendo que esta não é virgem depois do casamento, ele pagará uma multa em moedas se estiver mentindo e ela deverá ser apedrejada se a acusação for verdadeira. Se um homem abusar sexualmente de uma mulher não comprometida, ele deverá pagar uma quantia ao pai da moça e deverá casar-se com esta. Se um homem morrer e deixar uma esposa sem filhos, o cunhado irá tomá-la para esposa para nela fazer um filho e dá a este o nome do irmão morto. E a pior, mais bizarra, insensata e cruel de todas: (Dt 25. 11-12) "Se dois homens estiverem brigando, e a mulher de um vier em socorro do marido, estender a mão e agarrar o outro pelas partes vergonhosas, tu lhe cortarás a mão sem dó nem piedade".
4- Uma coisa que prestei atenção e que me chamou bastante atenção neste livro foi quanto ao capítulo 28 que relata as Promessas de Benção a quem obedecer a Deus e as Ameaças de Maldição a quem desagradá-lo. É uma imprecação veemente que ao mesmo tempo em que é instrutora, chega a ser ingênua e maldosa. Mas o fato mais interessante é que Deus promete mais maldições que bençãos ao seu povo. Não há contestação religiosa que derrube o meu entendimento de que o Deus colocado neste Antigo Testamento seja um ser tirano. Promessas de Benção - 31 linhas; Ameaças de Maldição - 126 linhas.

Enfim, é um livro de revisão e complementação. Quanto a história, eles conquistam alguns territórios, dizimam nações, matam pessoas e ao final, temos a morte de Moisés que os conduziu desde Êxodo e passa então a liderança para Josué, seu sobrinho.

sábado, 21 de junho de 2014

Leitura de Números

O livro de Números vai relatar a chegada dos israelitas à terra prometida após os 40 anos de peregrinação pelo deserto. Contudo, creio que tal livro poderia ser resumido na seguinte frase: "Aos 40 anos após a fuga do Egito, Aarão morre, o SENHOR ordena um massacre e eles chegam a Canaã". Pronto!

É o livro mais monótono até então. Ele traz uma série de relatórios que não consegui captar o objetivo em discorre-los. Não há qualquer ensinamento edificador a não ser enumerar a grandiosidade de tributos, oferendas, jornadas e sacrifícios a um Deus que impõe o seu próprio merecimento. E é muita imposição! Creio para se falar de humildade tem que se ser, antes de tudo, humilde. E aqui as pessoas são tratadas como mercadoria. (Nm 3. 13) "Eles são meus. Eu, o SENHOR". Neste livro se dá continuidade às terríveis imolações que fariam qualquer veterinário sofrer de horríveis pesadelos. Continuo sem compreender qual é a lógica. Se Deus havia criado o mundo e tudo que nele existia, qual o sentido da satisfação dele nesses rituais sangrentos de morte dos animais? Se ele foi capaz de destruir tudo, uma vez, através do dilúvio, que prazer sádico é esse de queimar bois e ovelhas numa fogueira? Penso que há algo de errado aí. Talvez apenas uma dose de raciocínio. Eram imensos e numerosos esses holocaustos. O título do livro certamente é "Números" em razão específica do capítulo 7 e do 29 que relatam todos os tributos na forma de sacrifícios, sangue, vísceras e gorduras. Verdadeiras manadas levadas ao sacrifício em nome de Deus para queimarem na fogueira. São estas palavras, "um sacrifício consumido pelo fogo, de suave odor ao SENHOR", repetidas inúmeras vezes desde o livro de Êxodo. Há uma passagem no capítulo 11 em que o povo está descontente com Deus e com fome, pois não há carne para comer. Coitados! Foram obrigados a queimar tudo...

Em Números Deus se revela excessivamente tirano; de uma obstinação quase que infantil porque as coisas não aconteciam da forma como ele queria. Moisés aí acaba sendo, inclusive, mais sensato que o próprio Deus e o enche de elogios como quem mima uma criança para que esta considere o seu contra-argumento. Transcrevo aqui na íntegra tal diálogo:

(Nm 14. 11-19) E o SENHOR disse a Moisés: "Até quando este povo vai desprezar-me? Até quando vai recusar-se a crer em mim, apesar de todos os sinais que fiz no meio deles? Vou feri-los de peste e deserdá-los. De ti, porém, farei uma nação maior e mais forte do que eles". Moisés respondeu ao SENHOR: "Mas os egípcios sabem que de seu meio tiraste este povo com teu poder, e o dirão aos habitantes desta terra. Eles sabem que tu, SENHOR, estás no meio deste povo; que tu, SENHOR, te manifestas a ele face a face; que sobre eles vela tua nuvem; que de dia precedes numa coluna de nuvem e de noite, numa coluna de fogo. Se, pois, nações que ouvirem tais notícias a teu respeito comentarão: 'O SENHOR foi incapaz de introduzir o povo no país que lhes prometeu, por isso os massacrou no deserto'. Portanto, agora é que o meu Senhor deveria manifestar a grandeza de sua força, como tu mesmo disse: 'O SENHOR é paciente e misericordioso; suporta a maldade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração'. Perdoa, pois, a maldade do povo conforme tua grande misericórdia, da mesma forma como o suportaste desde o Egito até aqui".

No capítulo seguinte há um relato terrível em que Deus comanda um apedrejamento a um homem porque este estivera catando lenha num sábado, dia em que o trabalho é condenado. Uma ditadura religiosa. E sem contar a pregação de várias leis machistas. Falocratas ao extremo, onde a palavra da mulher só tem valor se for de acordo a do homem. Enfim, este livro me deu um pouco de sono. É tudo tão exagerado que chega mesmo a ser enfadonho e indigno de qualquer crédito.

domingo, 8 de junho de 2014

Leitura de Levítico

Anseio por leituras ao longo deste livro que me tragam pelo menos a sensação de todas as maravilhas prometidas por aqueles que dizem "esta é a palavra de Deus". Se no decorrer do Antigo Testamento, a leitura manter seu teor repreensivo, vou desejar, ou já desejo, que o Novo mude a sua formatação do que seja Deus. Levítico começa fazendo uma série excessivamente detalhada de rituais de sacrifícios que achei sangrentos por demais. Chega inclusive a lembrar uma outra mitologia - a grega. Fico tentando imaginar que para quem escreveu isso, quais deveriam ser os parâmetros numéricos da manada de bois e carneiros dos israelitas. Sério... São muitos sacrifícios e de uma forma que se qualquer pessoa de hoje, católica (uma vez que a maioria dos católicos nem sabem o que há na Bíblia, pois não leem), os assistissem, a exclamação seria: "Isso não é de Deus!".

O livro traz ainda os detalhes da ordenação dos sacerdotes que irão conduzir aquela fé e de seus votos de fidelidade às práticas que supostamente constituiriam sua religião. Holocaustos, oblações, comunhões... Igualmente inimaginável tudo o que eles deveriam fazer. Muito diferente de uma missa dos dias de hoje.

Mas bem, uma parte que achei interessante foram as instruções entre os capítulos 11 e 14 que tratam da forma como as pessoas poderiam lidar com as doenças. E de fato, se você ler com atenção, aquilo que eles denominam como "abominação" está relacionado a algo impuro. Mas impuro não na forma anti-sacra, mas como aquilo que se diz anti-higiênico. Atribuo a isso, um erro, talvez, de tradução.
Mas no fundo mesmo, sabemos que é antes de tudo, um erro de interpretação. Já tinha ouvido falar sobre isso no filme "Orações para Bobby" (Prayers for Bobby - título original), cuja protagonista é interpretada pela atriz Sigorney Weaver, uma mãe que questiona perante a igreja o por quê de considerarem a homossexualidade do filho como "abominação". Um exemplo interessante: (Lv 11. 10) "Mas, dentre os animais que povoam as águas dos mares e dos rios, e dentre os seres vivos que aí houver, detestareis todo animal que não houver barbatanas e escamas. Serão para vós abominação." Isso significa dizer que a homossexualidade está no mesmo pé de igualdade que aquele que degusta camarão? E se não estiver, então continua-se a se pregar como pecado aquilo que ainda é conveniente. Sempre soube disso! A aversão ao homossexual é mais cultural que religiosa. O ser humano tem medo de tudo aquilo que é diferente. Mas enfim, o capítulo elucidou meus pensamentos quanto ao nível de conhecimento que se possuía em ciências médicas. O leproso, por exemplo, e tudo o que ele tocasse era afastado da sociedade por períodos de dias. Era muito cruel e desumano, mas ao mesmo tempo, compreensível, pois, uma vez que não se tinham conhecimentos sobre como tratar a doença, a medida era eficiente para que a hanseníase, uma doença infecto-contagiosa, não contaminasse as outras pessoas. Isso abre um pressuposto enorme para inserir dentro daquela realidade, que, este nível de conhecimento era o mesmo tomado por base para as outras regras impostas por aquela sociedade. Será que evoluímos muito?

Levítico nada mais é do que um relato histórico do que se passava com Moisés, Aarão e seu povo após a fuga do Egito. Deus ditava algumas regras para eles, mas não quer dizer que estas regras deveriam ser obedecidas até os dias de hoje. Tanto que casar com duas irmãs passou a ser um problema a partir daí. Antes disso, em Gênesis, Jacó teve duas esposas irmãs e nem por isso foi repreendido. A escravidão hoje em dia é condenada em todo o mundo, enquanto na Bíblia era algo natural. Relacionar-se sexualmente com escravas era aceito sem problemas; mesmo o homem já possuindo uma esposa. O problema era relacionar-se com a escrava de outro. Relacionar-se com animal também era abominação e o bicho teria que ser sacrificado. Me pergunto que culpa poderia ter o pobre do animal. E coitada da mulher que estivesse menstruada. Sem comentários!

Mas o capítulo 19 trouxe finalmente coisas que considero boas e coerentes, como não roubar, não enganar o cego, o surdo, não oprimir ou extorquir, não cometer injustiça, não propagar calúnia, não conspirar contra a vida de alguém. Era esse o tipo de coisa que eu esperava encontrar na Bíblia quando ouvia alguém dizer que este seria o livro a quem as pessoas deveriam seguir. Céus! Deus é caracterizado em suas qualidades como um ser insensível, severo e que deveria ser obedecido, e ele ainda se dizia santo. Acredito em Deus com todas as minhas forças, mas sei que ele não é assim.

sábado, 31 de maio de 2014

Leitura de Êxodo

O Livro de Exôdo, o segundo do Antigo Testamento, relata uma passagem "histórica" um tanto controversa. O livro refere-se especificamente a toda a peregrinação de Moisés conduzindo toda a sua comunidade de parentes em fuga do Egito para a terra prometida. A partir daí o livro meio que se transforma numa mistura de Vade-Mécum da antiguidade que prega leis civis para a época, como num manual de costura litúrgico que orienta o formato das vestes, altar, cortinas de 15 metros de altura e holocaustos de manhã e de tarde.

Como Jacó e seus filhos foram se abrigar no Egito por conta dos sete anos de vacas magras, estes e seus descendentes procriaram aí por gerações nestas terras até o ponto em que se tornaram verdadeiros escravos dos líderes egípcios que já não tinham nenhum vínculo de amizade com esse povo. Deus conversa com Moisés e lhe dá instruções sobre o que deve fazer para libertar o povo da opressão sofrida pelos egípcios. O conto é bem interessante se você não encará-lo como um relato da verdade, pois, ao mesmo tempo, é muito fantasioso e horrivelmente sangrento.

Certa vez, uma senhora a quem prezo muito e de grande dedicação religiosa ao catolicismo me repreendeu porque relatei o quanto achava incrível as cenas descritas pela escritora J.K.Rowling com seu personagem Harry Potter. De acordo com essa senhora, isso não era "coisa de Deus" e que o uso da magia se reservaria às artes profanas. Constatei que a vacina criada pela religião de fato existe. Os doutrinadores são os mais doutrinados, pois o próprio Deus da Bíblia, neste livro, induz os heróis Moisés e Aarão a usarem o seu cajado para desferirem golpes de feitiçaria contra os seus inimigos (diga-se de passagem que não creio em um Deus que possua inimigos). Qualquer semelhança com um bruxinho e uma varinha mágica vai ser coisa profana da minha cabeça. Tá certo! (Ex 8. 12) "O SENHOR disse a Moisés: 'Dize a Aarão: Estende a vara e golpeia a poeira da terra, para que se transforme em mosquitos no Egito inteiro'." Uau! Isso daria incríveis efeitos especiais para o cinema. A passagem refere-se a segunda praga desferida contra os egípcios para que estes pudessem libertar o povo de Israel (o mesmo Jacó). Foram ao todo 10 pragas: águas transformadas em sangue, rãs, mosquitos, moscas-varejeiras, peste nos animais, tumores, granizo, gafanhotos, escuridão e morte dos primogênitos. Isso significou para este leitor duas coisas: a primeira era a de que tais artifícios deveriam ser usados justificadamente para fazer os opressores crerem que de fato havia um Deus ali e que ele era poderoso. A segunda desmorona a primeira, pois significou que, este mesmo Deus poderoso era um ser opressor, impiedoso e de poucos; apenas o povo de Israel que o merecia, pois os egípcios eram seus inimigos. E mais uma vez a Bíblia recai na simplicidade anti-sociológica da dicotomia - os bons e os maus. O ser humano é muito mais complexo que isso! Enfim, o feito se realiza quando da fuga numa passagem pelo  meio do Mar Vermelho. (Ex 14. 21-22) "Moisés estendeu a mão sobre o mar, e durante a noite inteira o SENHOR fez soprar sobre o mar um vento oriental muito forte, fazendo recuar o mar e transformando-o em terra seca. As águas se dividiram, e os israelitas entraram pelo meio do mar em seco, enquanto as águas formavam uma muralha à direita e outra à esquerda deles." Ainda bem que é a Bíblia e não eu relatando uma cena do Harry Potter. Mas se bem que eu também me lembrei de uma personagem de X-Men.

Seguramente alguns vão dizer que eu esteja debochando da sua fé e que eu mereça ser castigado. O que tenho a dizer é que não é deboche, somente elucidação de passagens que são vistas e lidas apenas a luz de fé. Irracional e inteiramente emocional. Por mim você pode crer sim que isso é verídico e que isso pode fundar a sua religião, mas o que não pode ser ignorado é que as cenas retratadas aí são semelhantes a muitas cenas de aventuras narradas em HQ. Fantasia em demasia e pouca instrução coerente. Em nenhum momento durante todo o livro, por exemplo, percebi a palavra "amor" (se houver, por favor, indique nos comentários) enquanto que a palavra "sangue" surge proporcionalmente à quantidade de vezes que se lê a palavra "SENHOR". Muito controverso isso para ser empregado como a palavra daquele que nos salvará - A Palavra do Senhor!

Mas enfim, hoje é sábado e é dia de relaxar, pois como a própria Bíblia diz: (Ex. 35. 2) "Durante seis dias trabalhareis, mas o sétimo será para vós santo, um sábado, dia de descanso consagrado ao SENHOR. Quem nesse dia fizer qualquer trabalho será punido de morte." Me perdoem os religiosos, mas isso, pra mim, não é de Deus.

domingo, 18 de maio de 2014

Leitura de Gênesis

O livro de Gênesis, o primeiro do Antigo Testamento, vai trazer a sua visão da origem do mundo, a origem do pecado com Adão e Eva e posteriormente Abel e Caim. Este mesmo livro, discorrendo sobre as suas descendências, vai relatar também a parábola de Noé e sua arca, da Torre de Babel, e da família de Abraão e sua descendência, passando por Ló, Isaac, Esaú e Jacó até a história de José no Egito.

Antes de começar a dar minhas impressões sobre o assunto, queria deixar bem claro, que meu objetivo aqui não é o de evangelizar, mas tratar de uma leitura sem nenhuma influência religiosa e sem a interferência de qualquer doutrinador perante às palavras lidas. A leitura é minha! O que percebo aqui não é aquilo que os sacerdotes querem ou acham conveniente que o doutrinado acredite. Deus me fez inteligente e, portanto, posso obter senso crítico a partir de minhas próprias ideias. O objetivo maior é resenhar e tecer comentários sobre este que é apenas um dentre outros livros sagrados que existem pelo mundo (fato este no qual as pessoas esquecem ou que fazem-se de cegas para não ferirem a própria fé - A Bíblia não é o único livro sagrado!). Portanto, se você que visitou de repente achar este conteúdo ofensivo contra a sua fé, por favor, ignore. Esta postagem é sobre leitura e não sobre fé.

Bem, a partir da minha percepção, o livro passou no início a ideia de que Deus era um ser cruel e sanguinário, que, em razão de pouco, provocava a devastação da humanidade e o sofrimento do homem. Era precisamente um Deus exclusivo. Poucos o mereciam. Apenas uma família especificamente. Já ouvi falar uma vez, acerca de uma concepção de um filósofo contemporâneo, que relacionando o que conhecemos de ciência hoje nos faz referenciarmo-nos de que as antigas religiões são nada mais que mitologias e de que no futuro, as religiões de hoje também o serão. Penso que Mitologia Cristã seria um termo interessante para se referenciar às parábolas elaboradas no livro de Gênesis. A criação do mundo, a origem do pecado e uma serpente, Eva constituída de uma costela de Adão, a Arca de Noé, a Torre de Babel para elucidar o origem dos idiomas pelo mundo são fábulas no mínimo ingênuas. Mas enfim, não havia tecnologia na época para clarear as ideias humanas sobre tais questões, era tudo o que eles tinham. Perfeitamente compreensível! O que não é compreensível na verdade é a manutenção de ideias retrógradas sobre questões retrógradas as quais a ciência já respondeu. Pior ainda é fazer o mal em nome delas. O filósofo Giordano Bruno foi condenado à morte na fogueira por sustentar ideias dele as quais a Inquisição julgou serem contrárias à igreja. Isso me leva a concluir que, se a humanidade tivesse se mantido fiel aos preceitos religiosos pregados pela religião católica, então certamente hoje eu estaria sendo preso e condenado a uma morte bem cruel só por estar postando este texto.

Mas bem, continuando pelo Gênesis, percebi alguns outros desvios da suposta moral e bons costumes pregados pela "santa Bíblia". Se os filhos de Adão e Eva, além deles, foram os primeiros habitantes da terra, então por que em (Gn 4. 17 ) está escrito "Caim conheceu sua mulher. Ela concebeu e deu à luz Henoc. Caim veio a construir uma cidade e lhe deu o nome de seu filho, Henoc."? Uma mulher aí surgiu do nada? Certamente algum sacerdote vai conseguir responder a este questionamento. Só duvido que esta refutação tenha origem na própria Bíblia e que certamente tal resposta seja baseada naquilo que for conveniente acreditar. Mas não pára por aí. Era prática bem comum que, uma vez estéril, a esposa poderia oferecer a própria ama ou empregada para deitar-se com o marido e conceber um filho por meio dela. E existem religiões aí baseadas na Bíblia que condenam as barrigas de aluguel. Havia muita poligamia. As esposas de Jacó disputavam quem transava mais ou pelo menos quem dava mais filhos ao marido e ainda colocavam as suas criadas para entrarem na disputa e aumentarem seu time. Não sei! É uma ideia muito estranha para a concepção de moral. Sem falar que toda vez em que se relata a descendência de um personagem, apenas os filhos do sexo masculino que são mencionados e considerados na contagem. Ou seja, a concepção de que a mulher é um ser inferior é também imposta pela própria Bíblia. Não lembro de ouvir nenhuma destas histórias na missa ou de nenhum sermão que defendesse estas práticas como válidas para o desenvolvimento do ser humano em comunidade. Por que será? Só penso que em razão de não ser conveniente. Certamente alguém vai dizer, "ah! mas acontece que isso é do Antigo Testamento". A minha resposta para este argumento é o de que mais uma vez só se prega aquilo que for conveniente, pois muitas coisas que se ditam como "moral" foram extraídas do Antigo Testamento.

Mas falando de um ponto positivo. A história de José. O filho de Jacó que foi vendido pelos irmãos em razão da invídia desses. Esta, sim, traz valiosos ensinamentos ligados ao perdão, à superação, à integridade e à vontade de proporcionar o bem comum. É uma belíssima história que deve ser recontada com todos os detalhes presentes na passagem. Pelo menos dessa parte, percebi uma noção mais sucinta de um Deus justo e bom.

sábado, 10 de maio de 2014

O Início da Ideia

Inicio este empreendimento obviamente pela Bíblia Sagrada. Apesar de muitos acreditarem ser este o meu escolhido por ser, digamos, um livro padrão e que possui todos os ensinamentos irrefutáveis que uma religião precisa ter (como já ouvi uma vez alguém dizer: "A Bíblia é perfeita!"), não vai ser por isso. Escolhi iniciar pela Bíblia por conta do contexto histórico-geográfico no qual estou inserido. Se você, ôh brasileiro, acha que é católico, evangélico, espírita ou pertencente a qualquer outra religião de origem cristã; e se diz ser "servo" desta religião e brada isso com orgulho e muita "fé" no coração porque escolheu; vou dizer que um pequeno percentual desta sua realidade foi definida somente por você. Talvez a parte que te coube foi aceitar ou não. Escolher? Bem, penso que para que houvesse uma escolha aí, antes de adentrar aos dogmas impostos pela sua religião, você precisaria ter analisado quais eram as outras doutrinas que estariam a sua disposição, ou quem sabe das que existissem pelo mundo. Mas a realidade é que quase não houve escolha por aí. Como disse, o contexto histórico-geográfico... Quinhentos anos antes, a religião cultuada por aqui era puramente indianista, Deus era o Sol (coincidente com outras religiões) e ele tinha uma companheira, a Lua. Que bonitinho! Foram então os portugueses que introduziram a fé católica nestas terras de Vera Cruz e junto com eles vieram alguns de nossos ancestrais devotos desta fé. Chamo a atenção por este fato porque não consigo ignorar a lógica que com muita gratidão foi Deus quem me deu. Ora! Se então uma embarcação indiana tivesse chegado até aqui e se apossado destas terras, os brasileiros hoje seriam hindus. E se fosse chinesa? Seríamos politeístas? Enfim, contra fatos não há argumentos. Não tenho nada contra quem crê em Jesus Cristo. Também creio, mas não da mesma forma que esses, pois sei que eles só creem nesta igreja e neste livro, por razões que estão muito, mas muito longe de uma escolha baseada na lógica. Isso se chama fé.