sábado, 26 de julho de 2014

Leitura de Juízes e Leitura de Rute

Sobre a leitura do primeiro, se eu tiver compreendido bem, ficou entendido para mim que após a morte de Josué, o povo de Israel ficou sem a presença de um líder religioso e portanto, baseado naquilo que eles possuíam como instrumento de lei, elegeram-se, por um longo período, as pessoas que executaram aquilo que estava instrumentalizado. Ou seja, juízes nomeados pelo povo para supervisionar a ordem e aplicar e executar a lei de Deus.

Como que para provar a força da lei de Deus, é injetada intencionalmente na história, (pois não consigo acreditar em um povo tão volúvel assim) certas mudanças de comportamento que ao longo dos livros anteriores foi provado, repassado e revisado de todas as formas. Um exemplo? O povo se esquece de Deus e vai cultuar outros deuses. (Da minha parte, nada contra!) Mas isso só está monotonamente acrescido na história como que para ter o que julgar ou justificar a execução das severas penas impostas por um Deus de cólera.

Foi um livro desnecessariamente longo e que pouco acrescentou. Com exceção que neste mesmo é narrada uma das fábulas que mais renderam filmes e séries para a TV, que foi a estória de Sansão e seus cabelos mágicos. Enfim, o livro demonstra por A + B que o povo de Deus é um povo fraco e sem fé.


Para história, acontece de um julgamento provocar a ira da legião de Benjamin (uma das doze tribos de Israel) e por conta disso, desencadeia-se uma nova guerra, agora entre irmãos. O povo de Benjamin é praticamente dizimado, restando poucos homens, mas os anciãos, no sentido de recuperar aquela tribo, fazem a seguinte orientação em relação ao uma região próxima: (Jz 21. 20-21) Mandaram, pois, dizer ao benjaminitas: "Ide emboscar-vos nas vinhas. Quando virdes as moças de Silo saindo para tomar parte nas danças, saireis das vinhas e cada um raptará uma mulher para si dentre as moças de Silo. Em seguida ireis a terra de Benjamin.(...)"

Mais uma vez a mulher como ser passivo da vontade dos homens. É revoltante!

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Sobre a leitura de Rute, coloco nesta mesma postagem em razão de ser um livro bem curto, compreendido em apenas 4 capítulos, mas que traz um história que finalmente expõe uma demonstração de bondade e gratidão.

Rute era uma das noras de Noemi, uma mulher que havia migrado com esposo das terras de Israel numa época de fome no país. Em Moab, terra para a qual havia migrado, Noemi tivera dois filhos que lá cresceram e casaram. Com um tempo, o marido morreu e depois os filhos, restando a mesma com suas noras. Elas amavam a sogra, esta que por tamanho zelo e altruísmo orientou que as mesmas regressassem às casas de seus pais enquanto que ela, velha, iria regressar à Canaã. Uma delas se foi depois de muita insistência de Noemi, mas Rute permaneceu ao seu lado e com ela foi ao país de origem da sogra como estrangeira.

Trabalhou duro para conseguir alimento para sua matrona e enfim casou-se com um parente distante de Noemi, que pela lei jurídica definida por Deus, em razão de tal ato, deveria recuperar à Noemi a posse de suas terras antes de migrar.


Houve muita boa vontade da parte de Rute, mas ao mesmo tempo ficou no ar se elas fizeram isso de maneira premeditada e calculista. Não sei! Não consigo julgar. É impostante que você leia por si só para se deparar com as nuances das recomendações que Noemi  faz a Rute em relação ao parente.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Leitura de Josué

Nunca imaginei que houvesse um capítulo na Bíblia que pudesse retratar tantas guerras como o conteúdo deste livro. Finalizado o Pentateuco, Josué é o primeiro dos Livros da História do Povo de Deus, um povo muito valente e guerreiro, por sinal.

Em nenhum momento, durante toda a narrativa da Bíblia, até este ponto, o povo de Israel esteve tão unido. Assim como eu suspeitava no livro de Deuteronômio, Deus planejava inspirar o seu povo para enfrentar uma batalha de tamanho horror que, qualquer coisa poderia ser pecado, menos MATAR quem não fosse do povo de Deus. Sangue, minha gente! Demais! Por alguns momentos eu havia esquecido que estava lendo a Bíblia e fiquei divagando no intertexto com histórias da mitologia grega e/ou da romana. A Guerra de Troia, por exemplo. Chega a ser muito parecido com um momento histórico, que de fato aconteceu, que foram as guerras promovidas pelos escravos do império romano entre 109 a.C - 71. a.C. em que Espártaco, líder da revolta, rebelou cerca de 100 mil escravos contra o império.

Josué, diferente de Moisés, além do dever de ser um líder religioso e inspirador, era antes de tudo um Marechal do Exército de Israel. Muito sobrecarregado! E mais uma vez a Bíblia contradiz o que muitos religiosos proclamam: "A Bíblia é a nossa salvação!", dizem eles. "Céus! Deus livrai-nos desse mal!", digo eu. Enfim, este livro me trouxe a reflexão seguinte:

― Durante muito tempo a igreja perseguiu aqueles que se recusaram a dobrar-se ou obedecer às suas leis.  Sempre se ouviu falar que religião e política caminharam de mãos juntas. ― Qualquer guerra vai ser motivada por razões políticas e isso é fato. ― A guerra é um fato político. ― A inquisição então, era portanto, um fato político também? ― "Cacem as bruxas!", "Matem todos os judeus!", fatos políticos que geraram guerras.

Não sei se para as pouquíssimas pessoas que vão ler este texto, será possível acompanhar meu raciocínio. Mas certa lógica não está bem evidente? Será que a Bíblia deveria ser mesmo tida como a "palavra de Deus"? Eu era criança e conseguia captar gigantescas contradições. Por exemplo, se pela lei geral de qualquer religião do mundo, provocar a morte de outro é tido como crime ou pecado, então, há falhas nessa lei de Deus descrita no Antigo Testamento. Se essas pessoas tinham que morrer para dar cumprimento aos propósitos de Deus, então que culpa teriam esses outros se não conheceram os ensinamentos desse suposto ser superior? Era Deus mesmo? ― me pergunto. E em Josué Deus orienta que se faça emboscadas para destruir a cidade. Deus condena que morram na fogueira aqueles que fugiram com mantimentos para não enfrentar a guerra. Deus orienta que se matem todos os habitantes. E esta é uma orientação recorrente no livro. O trecho seguinte, por exemplo, é usado com bastante repetição. (Js 11. 14) "Os israelitas saquearam os despojos destas cidades junto com o gado; quanto aos seres humanos, passaram-nos todos ao fio da espada, até sua completa extinção; não deixaram um ser vivo sequer." Deus é mais!

Enfim, é um livro sangrento e pungente que relata muita matança em nome de Deus e que a partir do capítulo 13 até o 24 vai tratar basicamente, depois dessa carnificina, da partilha das terras conquistadas entre as tribos de Israel para que ali povoem e cultuem esse seu Deus.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Leitura de Deuteronômio

O livro de Deuteronômio trata de uma série de releituras sobre leis supostamente sagradas e de certo teor impositivo. Com a chegada do povo de Israel à terra prometida, em algumas cidades ainda seria preciso tomar o território do povo que ali já habitava. Eles chegaram, mas a Canaã ainda não pertencia a eles. De modo que se fez necessário revisar as lições ensinadas e impostas pelo SENHOR para que servissem como fonte de inspiração ou até mesmo justificativa para as crueldades que este povo de Deus iria executar contra aqueles com quem se defrontariam. Ao passo que há bastante revisão de coisas já ditas em livros anteriores, Deuteronômio ainda complementa algumas questões jurídicas e religiosas com exemplos bem específicos e em certos momentos até bem bizarros. Enfim... O que compreendi foi que Deus os preparava para uma guerra bem sangrenta. Um exemplo disso se vê neste trecho: (Dt 3. 3) "E o SENHOR nosso Deus entregou também em nossas mãos Og, rei de Basã, com todo o povo, e nós o derrotamos, sem deixar nenhum sobrevivente." Outro: (Dt 18. 22) "Se o profeta falar em nome do SENHOR, e o que disse não acontecer nem se realizar, então é coisa que o SENHOR não disse. O profeta falou com presunção! Não tenha receio de matá-lo!" 

Contudo, há um momento de sensatez que não tenho competência para julgar se justo ou não. No capítulo nove é relatado que, das justificativas que levaram à decisão do Senhor Deus em expulsar daquelas terras o povo que lá habitava, seria não pela justiça ou imparcialidade do povo de Israel, mas em razão das maldades praticadas por essas nações que lá viviam.

Bem, nesse livro é revisado, por exemplo, Os Dez Mandamentos, a intolerância religiosa perante outras crenças, as normas alimentares caracterizadas como abominação, o apedrejamento daqueles que não servirem em holocausto o gado sadio, a dominação da mulher como objeto sexual e passível da poligamia masculina etc.

1- Sobre a intolerância religiosa, há muita contradição, pois se Deus afirma que ele é único e superior, porque cultivar então tanta ira contra quem vai servir a um outro deus? Não percebo divindade neste arranjo, mas apenas um ciúme antrópico. Deus é muito inseguro. Ele diz que se uma mãe perceber o filho dizendo que vai adorar a outro deus, ela deve ser a primeira a entregá-lo à morte. Eu compreendo que se é tão perigoso assim, então, na visão dele, talvez deva existir de fato outros deuses.
2- Sobre as normas alimentares caracterizadas como abominação, termo este empregado também anteriormente para condenar práticas de má compreensão social, ele traz uma listagem de todos os animais considerados como pecado o usufruto de sua carne e dentre eles, vejam só, está presente o coelho, o porco, o avestruz etc. Mas sobre os que habitam a água nenhum daqueles que não possuem barbatanas e escamas. Podemos considerar aí, por dedução, o polvo, a lula, o caranguejo, o camarão etc. Por que será que não vejo nenhum pastor ou nenhum padre condenando aqueles que se alimentam de tais carnes?
3- Sobre a dominação da mulher, sinto muito desconforto quando leio tais horrores na Bíblia e ainda ter de engolir que tais pregações são da ordem de Deus. É tanta injustiça que chega a ser bizarro. Como exemplo, as penitências. Se um homem caluniar uma mulher dizendo que esta não é virgem depois do casamento, ele pagará uma multa em moedas se estiver mentindo e ela deverá ser apedrejada se a acusação for verdadeira. Se um homem abusar sexualmente de uma mulher não comprometida, ele deverá pagar uma quantia ao pai da moça e deverá casar-se com esta. Se um homem morrer e deixar uma esposa sem filhos, o cunhado irá tomá-la para esposa para nela fazer um filho e dá a este o nome do irmão morto. E a pior, mais bizarra, insensata e cruel de todas: (Dt 25. 11-12) "Se dois homens estiverem brigando, e a mulher de um vier em socorro do marido, estender a mão e agarrar o outro pelas partes vergonhosas, tu lhe cortarás a mão sem dó nem piedade".
4- Uma coisa que prestei atenção e que me chamou bastante atenção neste livro foi quanto ao capítulo 28 que relata as Promessas de Benção a quem obedecer a Deus e as Ameaças de Maldição a quem desagradá-lo. É uma imprecação veemente que ao mesmo tempo em que é instrutora, chega a ser ingênua e maldosa. Mas o fato mais interessante é que Deus promete mais maldições que bençãos ao seu povo. Não há contestação religiosa que derrube o meu entendimento de que o Deus colocado neste Antigo Testamento seja um ser tirano. Promessas de Benção - 31 linhas; Ameaças de Maldição - 126 linhas.

Enfim, é um livro de revisão e complementação. Quanto a história, eles conquistam alguns territórios, dizimam nações, matam pessoas e ao final, temos a morte de Moisés que os conduziu desde Êxodo e passa então a liderança para Josué, seu sobrinho.