sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Leitura do Segundo Livro das Crônicas

O Segundo Livro das Crônicas vai recontar com o acréscimo de alguns pormenores sobre o reinado de Salomão, sobre sua atitude louvável de pedir sabedoria a Deus e de seus feitos em meio ao povo de Israel: construção do templo, trasladação da arca, suas orações, a sua visita da Rainha de Sabá até sua morte.

Em seguida, o livro vai recontar, talvez pra quem não entendeu ainda, que todos (todos = força de expressão) os reis que se seguiram não foram dignos de Deus, pois não obedeciam aos seus preceitos e se manifestavam suscetíveis a outras formas de fé que não àquela prescrita por este Deus específico, o Senhor dos Israelitas. Vai recontar que todos esses reis foram fracos e que de forma contínua contribuíram para a ruína dessa nação. Fica bem claro isso, que o Deus da Bíblia, trata-se de um Deus não do mundo todo, mas apenas daquele povo, daquela região, daquela tempo, daquela descendência de Abraão. O que é contraditório, pois o mesmo se diz ser criador do céu e da terra.
Estes reis, em suma, foram "amaldiçoados" por não obedecer às regras ou cumprir com deveres que se esperava serem postos em prática. Isso a partir da perspectiva desse suposto Deus. Ainda bem que se trata de um período diferente do atual, pois se este mesmo Deus que dizem ser aquele atribuído à maioria das religiões cristãs de hoje exigisse o cumprimento de tais regras nos dias de hoje (Cruz Credo!), viveríamos numa guerra santa constante. O mundo não conheceria a paz na América nem na Europa em nome desse "Deus de Amor e Misericordioso". Estaríamos submersos num oriente médio de guerra religiosa e geográfica.
A Bíblia e a pregação dela nos dias de hoje se contradizem todo o tempo numa filosofia falha. No reinado de Acab, por exemplo, relatado no capítulo 18, temos o uso de 400 profetas que deveriam prever ou receber orientações divinas de como o rei deveria proceder. Tal exercício deveria ser feito a maneira que Deus desejaria e, no entanto, a maioria dessas religiões abominam as práticas de adivinhação. Conheço uma evangélica que, por exemplo, condena os simplórios curiosos sem maldade que leem o seu horóscopo de manhã. "Não existe esse negócio de signo", diz ela.
Enfim, o livro encerra com o fim de Jerusalém e o exílio desse povo. Detalhe este, único que não ficou bem claro ao final do Segundo Livro dos Reis.

sábado, 13 de setembro de 2014

Leitura do Primeiro Livro das Crônicas


Sobre este livro penso que talvez seja esta a postagem na qual vou menos falar. O livro na verdade se trata de uma recontagem dos principais ocorridos nos livros de Samuel, sobretudo daqueles que fazem referência ao Rei Davi. Volto a dizer que, apesar das incongruências de valores daquele tempo com os valores atuais, Davi ainda assim, traz valiosos ensinamentos, como não pregar o ódio, ou a aversão, assim como da aceitação e do perdão. Gostei dele! Ele era gente boa!

O Primeiro Livro das Crônicas vai relatar então, de início, como se fosse uma recapitulação das linhagens e de alguns relatório "incrivelmente úteis" para a humanidade. Quem era filho de quem; quem sucedeu quem; quem foram da linhagem das 12 tribos de Israel... São tantos nomes que creio seriamente que cristão nenhum compreenderá o propósito de tantas listas. A um historiador, teólogo, ou estudioso talvez possua algum propósito ou utilidade, mas para os demais, duvido. São muitos nomes! Você se perde na leitura até o capítulo 9 com esse extenso relato de nomes árabes. E daí então, temos uma nova narração de alguns fatos que permearam a história do rei Davi, de seus sacerdotes, suas guerras, dos castigos, das perseguições aos cultistas, além de alguns relatórios sobre os homens que ficavam nos portões da cidade ou do templo, sobre quantos sacerdotes eram precisos para uma cerimônia, sobre quantos soldados eram necessários para aniquilar uma cidade, sobre os cantores da "igreja", sobre as doações recebidas, as edificações e administração deste estado teísta, mas que sem perceber, profundamente henoteísta.

sábado, 6 de setembro de 2014

Leitura do Segundo Livro dos Reis

Desde que comecei a ler a Bíblia, estive no início sob a perspectiva de que iria me maravilhar com os bons ensinamentos que o livro traria para a minha vida. Antes que pareça ingenuidade da minha parte, esclareço que não era exatamente isso, mas uma postura de boa fé e auto-repreensão de que talvez eu estivesse sendo negligente ou uma má pessoa por não ter lido ainda esse livro que, sem dúvida, é um dentre aqueles que modificaram a história da humanidade. Decidi acreditar de que veria coisas boas, pois me coloquei de acordo com o que sempre ouvi falar, a vida inteira, das pessoas que o defendiam como a "Palavra de Deus". Só que não! Mas bem, vou deixar essas reflexões para quando encerrar o Antigo Testamento, pois agora que me encontro com um terço dele concluído. Inicio essas impressões nesse teor, entretanto, em razão da sensação geral que o Segundo Livro dos Reis me deixou.

Na verdade, para ser sincero, tenho uma impressão forte e polêmica demais a respeito, que me dá grande receio de compartilhar aqui. Não vou revelar na totalidade, pois como já dizem, para todo bom entendedor meia palavra basta. Não me condenem por isso, mas o livro me passa no geral a impressão de que, o Deus relatado aí não se trata de fato do mesmo Deus que a maioria das pessoas acredita. Não sei, parece mesmo um Deus inferior, um Deus pequeno, talvez até um ser sobrenatural criado pelo verdadeiro Deus. Ele chega a ser colocado no mesmo pé de igualdade que um suposto Baal. Deu para captar? Não há nada que indique em suas ações e determinações um traço que indique algo de universalmente superior ou supremo. Eu parto da premissa de que não há bem que justifique um mal. E há no capítulo 10 a narrativa de um massacre feito à família real de Israel. A mando de quem? Vou nem responder...

O Segundo Livro dos Reis vai relatar o que aconteceu no reinado de Israel após a sucessão do pseudo-sábio rei Salomão. Relata brevemente, episódios chave que tornaram a grande maioria de seus sucessores reis infelizes que desagradavam a Deus. Trata-se em suma de uma repetitiva e cansativa narrativa de seus reinados, sobre o que construíram, o que destruíram, que terras conquistaram, sobre quem mandaram matar, sobre quem traiu quem, numa extensa e repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, repetitiva, narração de guerra, ódio, vício e sei nem mais o quê... Mas sobre o reinado de cada um, o capítulo também sempre encerra com os dizeres: "O resto da história e tudo o que fez estão registrados no livro dos Anais do Reis de Israel". Há uma variação quando se substitui Israel, para relatar o governo de um rei de Judá. A frase é a mesma, muda-se apenas esta última palavra.

Enfim, esse livro não se trata de coisas boas que devamos fazer para promover o bem e evoluir enquanto ser humano e sim, de coisas que NÃO se deve fazer para não sofrer os castigos de Deus. E minhas orações a cerca dessa literatura são no sentido de que eu não desanime antes de concluir essa leitura.