domingo, 26 de julho de 2015

Leitura do Livro de Jó

Até o momento de minha sofrida leitura, encontrei em Jó um terceiro livro presente na Bíblia o qual achei interessante. Até agora só havia gostado de Gênesis e Tobias. Mas em Jó todos os elementos de enredo presentes e que giram em torno do personagem servem apenas para um único propósito que é o de proporcionar um debate. Olha só! A Bíblia fornece um momento de questionamentos.

Conta a história que Jó era um homem bom, submisso a Deus e que o agradava. Aquela coisa que vocês já conhecem da submissão a Deus, de ser temente porque Deus tem que ser temido e não amado e aquela idolatria toda. E então, através de um jogo irresponsável com o Diabo, (porque aqui Deus parece muito com aquele menino de Números) e digo irresponsável porque Deus gosta de brincar com a vida de seus humanos, Ele aposta que Jó, por mais que sofresse males sob a influência dessa excelente companhia de jogo, não deixaria que a sua fé sucumbisse. Assim, Jó, o pobre Jó que tanto amava Deus, tem seus filhos mortos, seu rebanho roubado e ainda contrai uma doença. Jó é humano e então se revolta como se revoltaria qualquer aquele que cai em várias desgraças.

Então, alguns velhos amigos e conhecidos vão a seu encontro para consolá-lo. Temos a partir daí um debate interessante em que Jó contra-argumenta as longas falas de seus colegas com mais questionamentos pelo fato de ter recebido tantas desgraças quando era na verdade uma pessoa que não as merecia. O teor da fala desses outros pauta-se sempre naquela velha idolatria a Deus que deve ser aceita sem questionamentos ou compreensões, como se a o homem não fosse permitido pensar e construir seus próprios pensamentos. O que na verdade é uma realidade típica de hoje e presente na vida de muitas pessoas ditas religiosas: ausência de pensamento e só aceitação. Enfim, não há lógica nisso para esse que vos escreve. Jamais poderei assimilar que Deus tenha nos criado para esse propósito. Ou melhor dizendo, para essa falta de propósito.

O ponto chave é o fato de que os questionamentos de Jó são sinceros e então, como nenhuma das repostas o satisfaz, o próprio Deus surge para respondê-lo. Fiquei contente e emocionado acreditando que Ele daria novas resposta, coerentes, mas isso não acontece. Para minha frustração, Deus traz uma resposta de mesmo teor. A única diferença é que sua presença se torna algo meio que consolador para o coitado do Jó. [Jó 42. 5-6] "Eu te conhecia só por ouvir dizer; mas agora meus próprios olhos te veem. Por isso, eu me retrato e me arrependo, eu me retrato sobre o pó e a cinza".


É necessário experimentar da "paciência de Jó" pra continuar lendo isso, pois o livro não traz nada resolutivo. Até traz discursos coerentes sobre a maldade, o que considero algo bom, mas pra isso você precisa ser um fiel hipócrita e ignorar todas as maldades praticadas antes, a mando de Deus. Enfim, mas só pelo fato de ter dado abertura para o questionamento que é a razão primeira da evolução espiritual e intelectual, já achei super válido. Ah, e depois de tudo isso, do sofrimento e desgraças, a bênção de Deus para com Jó é nada mais que fartura econômica. Uma recompensa pela sua paciência.

domingo, 5 de julho de 2015

Leitura do Segundo Livro dos Macabeus

Por também ser um livro histórico, este também é um livro difícil de comentar por trazer tantos elementos os quais só um estudioso pode elucidar. O que posso dizer, entretanto, é que este não parece ser a continuação do primeiro e que por isso, pesquisei na wikipedia o que poderia ser este livro tão enigmático.

Entendi que este, mesmo só sendo histórico, é importante para igreja, sobretudo a católica, pelas afirmações que contem sobre a ressurreição dos mortos, as sanções de além-túmulo, o mérito dos mártires, a intercessão dos santos e a prece pelos defuntos. A igreja protestante, entretanto, juntamente com o judaísmo  consideram tais doutrinas apresentadas no livro como heréticas, mas concordam que o livro tem notável valor histórico.

Bem, o ponto que mais chamou minha atenção nesta leitura foi uma cena de tamanho horror atribuído a Deus que jamais compreenderei como pode ser tão bem aceita e concebida. É tão nefasta que não se faz justificável estar presente em um livro que dizem conter "a palavra de Deus". Contudo, logo compreendo porque estas religiões doentias conseguem adoecer também os corações das pessoas que são adeptas. Na verdade não de como conseguem (de mim jamais conseguirão), mas porque destas pessoas serem doentes. Eis o que o trecho fala (2Mc 12. 16):

"Capturaram a cidade pela vontade de Deus e nela fizeram indizível carnificina. A tal ponto que o lago vizinho, de quatrocentos metros de largura, parecia cheio do sangue que correra."


Se isso foi pela vontade de Deus, é bem fácil compreender a origem de tanta intolerância nesse mundo. Sobretudo a religiosa.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Leitura do Primeiro Livro dos Macabeus

Eu nunca li a Ilíada de Homero, mas esse livro oportunamente retrata algumas cenas que se encontram naquele poema épico. Não me sinto muito a vontade para comentar qualquer opinião sobre este livro, pois este é complexo demais e envolve além das questões religiosas, características geográficas, históricas e políticas da época que para serem compreendidas requerem muito estudo e atenção. São muitos detalhes sobre o movimento descrito no livro. As guerras narradas, as posições, a cultura, os dados históricos e principalmente os movimentos políticos. Além disso, cita vários personagens e elementos que se poderia encontrar facilmente em outros livros que não apenas a Bíblia. Achei isso interessante! Alexandre o Grande, os espartanos, a Guerra de Tróia, são alguns dentre a grandiosidade de coisas citadas.



O tema geral descreve a luta dos judeus pela sua libertação religiosa. Mas é muito mais que isso, há muito mais política que religião nesse livro. E em alguns momentos, por conta dos exageros em mortes e soldados em guerra, esse livro me lembrou muito do livro de Números. Exércitos em números que espantariam até mesmo nos dias hoje e mortes em quantidades extraordinárias.

Mas, pesquisando na wikipedia um resumo do que se poderia ter essencialmente deste livro, encontrei isso: O livro identifica religião e patriotismo, descrevendo a revolta como verdadeira guerra santa, abençoada pelo próprio Deus, que não abandona os que lutam para ser fiéis a ele. É um convite para encarnar a fé em ação política e revolucionária. Ao invés de ser concebida como refúgio seguro fora do mundo, a fé se torna fermento libertador, que provoca transformações dentro da história e da sociedade. Sobretudo, mostra que um povo, por mais fraco que pareça, jamais deve se conformar diante da prepotência dos poderosos.

Apesar de ser um livro considerado importante para a compreensão da história do povo israelita, aliás, esse é o único motivo, não sei se captei bem o sentido de um livro desses estar presente entre os textos da Bíblia.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Leitura de Ester

O livro de Ester vai contar a história de uma israelita que devido uma série de detalhes vem a se tornar imperatriz da Pérsia, fato que esse que condiciona bastante e de forma favorável o futuro do povo de Israel.

Neste livro ainda temos a temática de dominação do homem sobre a mulher, pois a forma com que é dada a oportunidade para que Ester se torne esposa do imperador parte antes da substituição da Rainha Vasti por Ester. E acontece de uma forma extremamente ardilosa e machista. Os próprios argumentos que fazem da rainha uma pessoa não muito indicada para continuar no posto são inteiramente pautados numa concepção de que a mulher é um ser inferior e que deve estar sujeita às vontades patriarcais.

Acontece de que os judeus estavam exilados na Babilônia desde a destruição do Templo de Salomão pelo babilônicos e dispersão do Reino de Judá. A Babilônia, por sua vez, foi conquistada pela Pérsia. Ou seja, os judeus israelitas estavam suprimidos. Como Ester, pessoa deste povo vem a se tornar rainha, de certa forma e até compreensível, ela manipula o rei para que politicamente o seu povo seja favorecido numa determinada situação. Como sempre vem aqueles argumentos de que este é um povo escolhido por Deus. Esta alegação por si própria já é contraditória porque no meu entender ela faz de Deus um ser medíocre que exclui o restante das pessoas e não um Deus grande e abrangente. Mas chamo a atenção para o seguinte trecho (Est 9. 12):

O rei disse á rainha Ester: "Só na fortaleza de Susa os judeus mataram e exterminaram quinhentos homens, bem como os dez filhos de Amã. que terão eles feito nas demais províncias do reino? E agora, pede-me o que quiseres e te será concedido! Que mais desejas, e será feito!"

Se Deus realmente, por talvez que não querer sujar as mãos ou descartar a hipótese de melhorar a sua criação, uma vez que ele é poderoso o suficiente pra criar a Terra e depois realizar um dilúvio sobre ela, e realmente resolvesse escolher um povo dentre todos aqueles que também foram sua criação, então ele escolheu um povo qualquer e não muito melhor do que todos os outros. Digo isso, pois quando tiveram oportunidade e apoio, os judeus massacraram pessoas tanto quanto já foram massacrados. Detalhe que esta colocação no trecho acima é relatada em tom de júbilo e sucesso.


segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Leitura de Judite

O livro de Judite ao mesmo tempo em que revela o amor e confiança de uma viúva aos poderes de Deus, se define também através desse mesmo ato narrado nessa história como uma contradição de valores morais incrivelmente absurda.

Terminado o livro de Tobias, novamente vem aquele cenário de guerra que já te faz perder completamente a noção sobre qual é o objetivo de tanta matança. Que realmente já não importa mais. Tanto faz! A guerra é uma realidade da rotina do povo de Israel tanto quando dormir ou respirar. Enfim, mas nesse caso o cenário serve apenas para ilustrar a artimanha de uma mulher israelita.

Comecei a estranhar a partir de uma frase no final do capítulo 8 que diz (Jt 8. 35): "Vai em paz! Que o Senhor Deus esteja diante de ti, para castigo de nossos inimigos!" Essa parte sobre o "castigo de nossos inimigos" é muito comum na fala, na música e no discursos da maioria dos evangélicos. É um conceito confuso que ao mesmo tempo em que incita o crente a pensar ser melhor que alguém, prega o ódio por criar a perspectiva da inimizade e, ainda por cima, o sofrimento daqueles que são diferentes, pois roga-os ao castigo.

Pra resumir o fato, Judite promete ajudar o seu povo e sai de onde eles estariam para juntar-se ao exército inimigo e que os ameaça naquele contexto. Se perfuma e se ajeita para seduzir estes homens estrangeiros. Em um momento oportuno decepa a cabeça do chefe desses inimigos e a leva como prova de sua capacidade até o seu povo que passa a se ver uma vez mais a frente dos inimigos e passam a glorificar a atitude violenta e audaz de Judite. Eu sinceramente, achei muito interessante pois ilustra a lição de que a mulher não deve ser subestimada, mas é absurdamente contraditório que isso seja exemplo de promoção da paz e da bondade. A Bíblia não deveria ser o livro da salvação? Outra frase de choque (Jt 13. 18) " E bendito seja o Senhor Deus, que criou os céus e a terra e te levou a decepar a cabeça do chefe de nossos inimigos!". Ela está sendo aplaudida nesse momento. Não é estranho!?

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Leitura de Tobias

O livro de Tobias traz uma história cheia de elementos fantasiosos que parecem ter sido criados propositalmente para serem apreciados por qualquer leitor. Eu gostei!

De acordo com a edição pastoral da Bíblia Sagrada (dados esses que coletei da wikipedia), há estudos que indicam que o Livro de Tobias foi escrito por volta do ano de 200 a.C. e que não relata uma história real, pois os acontecimentos aí descritos dificilmente se enquadram na história desse período. O livro pertence ao gênero sapiencial e é uma espécie de romance ou novela, destinado a transmitir ensinamentos.

Foi o primeiro dentre os que li que traz mensagens construtivas e demonstra de fato atos de bondade e de amor. Amor familiar, amor religioso, fraternidade, honestidade e romance. Entre os elementos fantasiosos, tem-se, por exemplo, a participação de um anjo (Rafael) e uma recomendação que ele próprio faz no sentido de curar males do corpo e espantar espíritos ruins. Outro que me chamou a atenção foi sobre uma suposta maldição implantada na prima de Tobias que perdia todos os maridos antes da consumação do casamento. Este detalhe é narrado na história de uma forma diferente de outras supostas maldições que aparecem nos livros anteriores. Nessa, há uma romantização do drama, assim como um elo de fatos que são postos como que para manter a curiosidade do leitor.

Gostei desse livro porque não senti nenhuma castidade, sofrimento ou medo infligido sobre aqueles que queiram crer em Deus. No capítulo 4, por exemplo, o pedido do pai de Tobias é tão puro e bom que na minha opinião se define numa aproximação daquilo que se poderia e deveria ser Deus. Eis um trecho (Tb 4. 6):

"Porquanto, seguindo a verdade, obterás êxito em teus trabalhos, assim como todos os que praticam a justiça."

domingo, 2 de novembro de 2014

Leitura de Neemias

O livro de Neemias relata a composição de alguns aspectos da população de Israel após todos os acontecimentos relatados anteriormente. Quer dizer, a partir desta perspectiva, como se houvesse mudanças naquele povo por conta dos pecados passados. Neemias é um governador que surge para dar execução e ordenamento nas profecias e instruções colocadas por Esdras.

Os acontecimentos narrados, entretanto, não acrescentem e nem diminuem algo de significativo para a elaboração do livro que se tem erroneamente como "a palavra de Deus". Relata-se a reconstrução das muralhas de Jerusalém, sobre a situação religiosa que nada mais é do que um subterfúgio para impor regras e leis jurídicas, sobre a população daquele povo, inclusive no ponto em que se faz um censo para se saber a condicionante da população masculina, sobre políticas de arrecadação de impostos na forma de dízimo e de uma xenofobia horrorosa.

No geral, o livro me passou a sensação sincera de que quanto menos Deus participava daquelas imposições, mais a paz reinava na terra. Não pretendo pregar de forma alguma o ateísmo aqui. Acredito em Deus. Mas, isso é o que a Bíblia expõe. Ela fala por si só, basta que as pessoas que rogam-na enquanto palavra de Deus busquem de fato conhecê-la.