O livro de Gênesis, o primeiro do Antigo Testamento, vai trazer a sua visão da origem do mundo, a origem do pecado com Adão e Eva e posteriormente Abel e Caim. Este mesmo livro, discorrendo sobre as suas descendências, vai relatar também a parábola de Noé e sua arca, da Torre de Babel, e da família de Abraão e sua descendência, passando por Ló, Isaac, Esaú e Jacó até a história de José no Egito.
Antes de começar a dar minhas impressões sobre o assunto, queria deixar bem claro, que meu objetivo aqui não é o de evangelizar, mas tratar de uma leitura sem nenhuma influência religiosa e sem a interferência de qualquer doutrinador perante às palavras lidas. A leitura é minha! O que percebo aqui não é aquilo que os sacerdotes querem ou acham conveniente que o doutrinado acredite. Deus me fez inteligente e, portanto, posso obter senso crítico a partir de minhas próprias ideias. O objetivo maior é resenhar e tecer comentários sobre este que é apenas um dentre outros livros sagrados que existem pelo mundo (fato este no qual as pessoas esquecem ou que fazem-se de cegas para não ferirem a própria fé - A Bíblia não é o único livro sagrado!). Portanto, se você que visitou de repente achar este conteúdo ofensivo contra a sua fé, por favor, ignore. Esta postagem é sobre leitura e não sobre fé.
Bem, a partir da minha percepção, o livro passou no início a ideia de que Deus era um ser cruel e sanguinário, que, em razão de pouco, provocava a devastação da humanidade e o sofrimento do homem. Era precisamente um Deus exclusivo. Poucos o mereciam. Apenas uma família especificamente. Já ouvi falar uma vez, acerca de uma concepção de um filósofo contemporâneo, que relacionando o que conhecemos de ciência hoje nos faz referenciarmo-nos de que as antigas religiões são nada mais que mitologias e de que no futuro, as religiões de hoje também o serão. Penso que Mitologia Cristã seria um termo interessante para se referenciar às parábolas elaboradas no livro de Gênesis. A criação do mundo, a origem do pecado e uma serpente, Eva constituída de uma costela de Adão, a Arca de Noé, a Torre de Babel para elucidar o origem dos idiomas pelo mundo são fábulas no mínimo ingênuas. Mas enfim, não havia tecnologia na época para clarear as ideias humanas sobre tais questões, era tudo o que eles tinham. Perfeitamente compreensível! O que não é compreensível na verdade é a manutenção de ideias retrógradas sobre questões retrógradas as quais a ciência já respondeu. Pior ainda é fazer o mal em nome delas. O filósofo Giordano Bruno foi condenado à morte na fogueira por sustentar ideias dele as quais a Inquisição julgou serem contrárias à igreja. Isso me leva a concluir que, se a humanidade tivesse se mantido fiel aos preceitos religiosos pregados pela religião católica, então certamente hoje eu estaria sendo preso e condenado a uma morte bem cruel só por estar postando este texto.
Mas bem, continuando pelo Gênesis, percebi alguns outros desvios da suposta moral e bons costumes pregados pela "santa Bíblia". Se os filhos de Adão e Eva, além deles, foram os primeiros habitantes da terra, então por que em (Gn 4. 17 ) está escrito "Caim conheceu sua mulher. Ela concebeu e deu à luz Henoc. Caim veio a construir uma cidade e lhe deu o nome de seu filho, Henoc."? Uma mulher aí surgiu do nada? Certamente algum sacerdote vai conseguir responder a este questionamento. Só duvido que esta refutação tenha origem na própria Bíblia e que certamente tal resposta seja baseada naquilo que for conveniente acreditar. Mas não pára por aí. Era prática bem comum que, uma vez estéril, a esposa poderia oferecer a própria ama ou empregada para deitar-se com o marido e conceber um filho por meio dela. E existem religiões aí baseadas na Bíblia que condenam as barrigas de aluguel. Havia muita poligamia. As esposas de Jacó disputavam quem transava mais ou pelo menos quem dava mais filhos ao marido e ainda colocavam as suas criadas para entrarem na disputa e aumentarem seu time. Não sei! É uma ideia muito estranha para a concepção de moral. Sem falar que toda vez em que se relata a descendência de um personagem, apenas os filhos do sexo masculino que são mencionados e considerados na contagem. Ou seja, a concepção de que a mulher é um ser inferior é também imposta pela própria Bíblia. Não lembro de ouvir nenhuma destas histórias na missa ou de nenhum sermão que defendesse estas práticas como válidas para o desenvolvimento do ser humano em comunidade. Por que será? Só penso que em razão de não ser conveniente. Certamente alguém vai dizer, "ah! mas acontece que isso é do Antigo Testamento". A minha resposta para este argumento é o de que mais uma vez só se prega aquilo que for conveniente, pois muitas coisas que se ditam como "moral" foram extraídas do Antigo Testamento.
Mas falando de um ponto positivo. A história de José. O filho de Jacó que foi vendido pelos irmãos em razão da invídia desses. Esta, sim, traz valiosos ensinamentos ligados ao perdão, à superação, à integridade e à vontade de proporcionar o bem comum. É uma belíssima história que deve ser recontada com todos os detalhes presentes na passagem. Pelo menos dessa parte, percebi uma noção mais sucinta de um Deus justo e bom.
"se a humanidade tivesse se mantido fiel aos preceitos religiosos pregados pela religião católica, então certamente hoje" você não estaria postando esse texto.
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