domingo, 8 de junho de 2014

Leitura de Levítico

Anseio por leituras ao longo deste livro que me tragam pelo menos a sensação de todas as maravilhas prometidas por aqueles que dizem "esta é a palavra de Deus". Se no decorrer do Antigo Testamento, a leitura manter seu teor repreensivo, vou desejar, ou já desejo, que o Novo mude a sua formatação do que seja Deus. Levítico começa fazendo uma série excessivamente detalhada de rituais de sacrifícios que achei sangrentos por demais. Chega inclusive a lembrar uma outra mitologia - a grega. Fico tentando imaginar que para quem escreveu isso, quais deveriam ser os parâmetros numéricos da manada de bois e carneiros dos israelitas. Sério... São muitos sacrifícios e de uma forma que se qualquer pessoa de hoje, católica (uma vez que a maioria dos católicos nem sabem o que há na Bíblia, pois não leem), os assistissem, a exclamação seria: "Isso não é de Deus!".

O livro traz ainda os detalhes da ordenação dos sacerdotes que irão conduzir aquela fé e de seus votos de fidelidade às práticas que supostamente constituiriam sua religião. Holocaustos, oblações, comunhões... Igualmente inimaginável tudo o que eles deveriam fazer. Muito diferente de uma missa dos dias de hoje.

Mas bem, uma parte que achei interessante foram as instruções entre os capítulos 11 e 14 que tratam da forma como as pessoas poderiam lidar com as doenças. E de fato, se você ler com atenção, aquilo que eles denominam como "abominação" está relacionado a algo impuro. Mas impuro não na forma anti-sacra, mas como aquilo que se diz anti-higiênico. Atribuo a isso, um erro, talvez, de tradução.
Mas no fundo mesmo, sabemos que é antes de tudo, um erro de interpretação. Já tinha ouvido falar sobre isso no filme "Orações para Bobby" (Prayers for Bobby - título original), cuja protagonista é interpretada pela atriz Sigorney Weaver, uma mãe que questiona perante a igreja o por quê de considerarem a homossexualidade do filho como "abominação". Um exemplo interessante: (Lv 11. 10) "Mas, dentre os animais que povoam as águas dos mares e dos rios, e dentre os seres vivos que aí houver, detestareis todo animal que não houver barbatanas e escamas. Serão para vós abominação." Isso significa dizer que a homossexualidade está no mesmo pé de igualdade que aquele que degusta camarão? E se não estiver, então continua-se a se pregar como pecado aquilo que ainda é conveniente. Sempre soube disso! A aversão ao homossexual é mais cultural que religiosa. O ser humano tem medo de tudo aquilo que é diferente. Mas enfim, o capítulo elucidou meus pensamentos quanto ao nível de conhecimento que se possuía em ciências médicas. O leproso, por exemplo, e tudo o que ele tocasse era afastado da sociedade por períodos de dias. Era muito cruel e desumano, mas ao mesmo tempo, compreensível, pois, uma vez que não se tinham conhecimentos sobre como tratar a doença, a medida era eficiente para que a hanseníase, uma doença infecto-contagiosa, não contaminasse as outras pessoas. Isso abre um pressuposto enorme para inserir dentro daquela realidade, que, este nível de conhecimento era o mesmo tomado por base para as outras regras impostas por aquela sociedade. Será que evoluímos muito?

Levítico nada mais é do que um relato histórico do que se passava com Moisés, Aarão e seu povo após a fuga do Egito. Deus ditava algumas regras para eles, mas não quer dizer que estas regras deveriam ser obedecidas até os dias de hoje. Tanto que casar com duas irmãs passou a ser um problema a partir daí. Antes disso, em Gênesis, Jacó teve duas esposas irmãs e nem por isso foi repreendido. A escravidão hoje em dia é condenada em todo o mundo, enquanto na Bíblia era algo natural. Relacionar-se sexualmente com escravas era aceito sem problemas; mesmo o homem já possuindo uma esposa. O problema era relacionar-se com a escrava de outro. Relacionar-se com animal também era abominação e o bicho teria que ser sacrificado. Me pergunto que culpa poderia ter o pobre do animal. E coitada da mulher que estivesse menstruada. Sem comentários!

Mas o capítulo 19 trouxe finalmente coisas que considero boas e coerentes, como não roubar, não enganar o cego, o surdo, não oprimir ou extorquir, não cometer injustiça, não propagar calúnia, não conspirar contra a vida de alguém. Era esse o tipo de coisa que eu esperava encontrar na Bíblia quando ouvia alguém dizer que este seria o livro a quem as pessoas deveriam seguir. Céus! Deus é caracterizado em suas qualidades como um ser insensível, severo e que deveria ser obedecido, e ele ainda se dizia santo. Acredito em Deus com todas as minhas forças, mas sei que ele não é assim.

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