sábado, 2 de agosto de 2014

Leitura do Primeiro Livro de Samuel

A leitura deste livro segue uma linha de narrativa diferente dos livros anteriores, uma vez que não dá seguimento a nenhuma história antecessora. A primeira frase, por exemplo, no primeiro versículo diz "Era uma vez um homem de Ramatain". A partir dessa introdução pitoresca ele vai relatar a história desse Samuel, que assim como Moisés ou Josué seria um sacerdote capaz de receber as orientações direto de Deus para o seu povo. História essa que é contada desde a sua infância e que, a medida em que vai sendo narrada, vai agregando outros temas ainda mais importantes que o dele. A participação de Samuel fica muito subjetiva no livro, de forma que, a história de outros personagens se tornam mais importantes que a dele próprio.

Os outros personagens que se destacam são Saul, um moço que por intermédio da inspiração de Samuel é nomeado rei de Israel e o outro se chama Davi, o famoso Rei Davi que matou Golias e que é representado pela arte em obras como a de Michelangelo ou a de Caravaggio.

Até o ponto em que conhecemos a história de Saul, o referido livro não me chamou a atenção em nenhum momento - uma história vazia sem qualquer detalhe que compreenda um ensinamento religioso, nem de bom, nem de mau. Contudo, as atrocidades reaparecem no capítulo 15 quando Saul ordena uma guerra sem o consentimento de Samuel e de novo vem aquela história de "extermínio do povo, passando-o ao fio da espada" (1Sm 15. 8). A partir desse momento Samuel diz a Saul que ele fora rejeitado por Deus em razão de tal imprudência. Entretanto, o próprio Samuel também executa uma morte cruel, que aos olhos da Bíblia se faria necessária e até sob o consentimento de Deus, uma vez que seria uma sentença por um crime, mas que é aplicada a meu ver, mais como uma vingança. (1Sm 15. 33) "Samuel disse: Como tua espada privou de filhos as mulheres, assim entre as mulheres seja privada do filho a tua mãe! Em seguida Samuel cortou Agag em pedaços na presença do SENHOR em Guigal."

Desse ponto em diante, surge Davi, filho caçula de Jessé, um moço de caráter honrado e que prometeria ser o novo rei de Israel. Tal fato (o de ser o novo rei) incomoda por demais Saul que no decorrer de todo o livro tenta matá-lo sem sucesso. Mas seu destaque maior se dá para a história por Davi conseguir, quando nenhum se atreveu, vencer o gigante Golias. Um soldado filisteu e de um povo inimigo de Israel. Tal feito é bem retratado neste vídeo, por exemplo, produzido pela TV Record.


No decorrer de todo o livro em que Davi participa, este se revela inteiramente bom e honrado. É muito bonita a cena em que ele prova para Saul que teve todas as chances de matá-lo e que não procedera de tal maneira por não acreditar que esse seja o caminho para a paz. Porém, noutro ponto, um fato me chamou bastante a atenção, pois não compreendi bem a lógica das escrituras. Há um espírito mau da parte de Deus que se apossa de Saul para compeli-lo ao ódio por Davi. Mais de uma vez! Como assim? Deus manipulava o sentimento de Saul? Um exemplo: (1Sm 18. 10) "No dia seguinte, o espírito mau de Deus tomou conta de Saul, de modo que ele teve um acesso de fúria na sua casa." Leiam e tirem suas conclusões, pois isso acontece pelo menos três vezes. 

Enfim, o livro termina com a morte de Saul frente a uma outra guerra. Contudo, considerando os achados, encontrei algo bom e coerente com aquilo que acredito ser Deus. Um ensinamento muito bonito está escrito em 1Sm 16. 7. O mesmo diz: "Deus não olha para o que as pessoas olham: elas olham para as aparências, mas o SENHOR olha para o coração." Só que no meio de tanta morte em nome de Deus, até agora o antigo testamento só me tem revelado um Deus confuso, contraditório e incoerente.

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