sexta-feira, 18 de julho de 2014

Leitura de Josué

Nunca imaginei que houvesse um capítulo na Bíblia que pudesse retratar tantas guerras como o conteúdo deste livro. Finalizado o Pentateuco, Josué é o primeiro dos Livros da História do Povo de Deus, um povo muito valente e guerreiro, por sinal.

Em nenhum momento, durante toda a narrativa da Bíblia, até este ponto, o povo de Israel esteve tão unido. Assim como eu suspeitava no livro de Deuteronômio, Deus planejava inspirar o seu povo para enfrentar uma batalha de tamanho horror que, qualquer coisa poderia ser pecado, menos MATAR quem não fosse do povo de Deus. Sangue, minha gente! Demais! Por alguns momentos eu havia esquecido que estava lendo a Bíblia e fiquei divagando no intertexto com histórias da mitologia grega e/ou da romana. A Guerra de Troia, por exemplo. Chega a ser muito parecido com um momento histórico, que de fato aconteceu, que foram as guerras promovidas pelos escravos do império romano entre 109 a.C - 71. a.C. em que Espártaco, líder da revolta, rebelou cerca de 100 mil escravos contra o império.

Josué, diferente de Moisés, além do dever de ser um líder religioso e inspirador, era antes de tudo um Marechal do Exército de Israel. Muito sobrecarregado! E mais uma vez a Bíblia contradiz o que muitos religiosos proclamam: "A Bíblia é a nossa salvação!", dizem eles. "Céus! Deus livrai-nos desse mal!", digo eu. Enfim, este livro me trouxe a reflexão seguinte:

― Durante muito tempo a igreja perseguiu aqueles que se recusaram a dobrar-se ou obedecer às suas leis.  Sempre se ouviu falar que religião e política caminharam de mãos juntas. ― Qualquer guerra vai ser motivada por razões políticas e isso é fato. ― A guerra é um fato político. ― A inquisição então, era portanto, um fato político também? ― "Cacem as bruxas!", "Matem todos os judeus!", fatos políticos que geraram guerras.

Não sei se para as pouquíssimas pessoas que vão ler este texto, será possível acompanhar meu raciocínio. Mas certa lógica não está bem evidente? Será que a Bíblia deveria ser mesmo tida como a "palavra de Deus"? Eu era criança e conseguia captar gigantescas contradições. Por exemplo, se pela lei geral de qualquer religião do mundo, provocar a morte de outro é tido como crime ou pecado, então, há falhas nessa lei de Deus descrita no Antigo Testamento. Se essas pessoas tinham que morrer para dar cumprimento aos propósitos de Deus, então que culpa teriam esses outros se não conheceram os ensinamentos desse suposto ser superior? Era Deus mesmo? ― me pergunto. E em Josué Deus orienta que se faça emboscadas para destruir a cidade. Deus condena que morram na fogueira aqueles que fugiram com mantimentos para não enfrentar a guerra. Deus orienta que se matem todos os habitantes. E esta é uma orientação recorrente no livro. O trecho seguinte, por exemplo, é usado com bastante repetição. (Js 11. 14) "Os israelitas saquearam os despojos destas cidades junto com o gado; quanto aos seres humanos, passaram-nos todos ao fio da espada, até sua completa extinção; não deixaram um ser vivo sequer." Deus é mais!

Enfim, é um livro sangrento e pungente que relata muita matança em nome de Deus e que a partir do capítulo 13 até o 24 vai tratar basicamente, depois dessa carnificina, da partilha das terras conquistadas entre as tribos de Israel para que ali povoem e cultuem esse seu Deus.

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